Reflexão Diária
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O SENHOR BOM E O ESPIRITO MALIGNO

O Senhor Bom tinha um coração de ouro. Tinha compreendido que
a glória e a existência são difíceis de guardar, por isso
utilizava todas as suas riquezas em liberalidades.

O seu mérito era muito elevado, a sua virtude abalava o mundo.

De tal maneira que o espírito Maligno começou a recear pela
sua própria popularidade. "Em breve, este Senhor Bom será
tão conhecido pela sua gentileza gratuita como eu pelos meus
crimes e pela minha maldade. Tenho de lhe criar um inferno
muito especial"... Dito e feito, e o inferno para os gentis foi
criado.

Quando o Senhor Bom caiu no abismo que lhe estava reservado, o
espírito Maligno começou logo a troçar: "Estás bem avançado agora,
tu que passaste a tua vida a dar aos outros. O que ganhaste com
isso, já não tens nada e vais ser queimado?"

Mas o Senhor Bom sorriu e num tom de voz igual perguntou:
"Se aquele que foi bom e caridoso suporta tais sofrimentos,
aquele que foi o objecto da caridade, suponho que o glorifiquem?"

O espírito Maligno respondeu: "Exactamente! Aquele que recebeu
a caridade, sobe para o céu quando a sua vida acabar. Pois,
eu sei, é o mundo ao contrário, meu querido!"

O Senhor Bom retorquiu: "Então, certamente deves ter-te
enganado e não tens nenhuma razão para me manter prisioneiro."
Com isto, levantou-se e começou à procura de uma saída.

Diante de tanta firmeza, o espírito Maligno admirou-se:
"Mas o que queres dizer com isso? Deste tudo e nada recebeste,
portanto, és tu que estás lesado e foram os outros que te
enganaram!"

"Ah? Pensas tu, espírito Maligno, que aquele que dá não recebe
nada? Sou rico ao cêntuplo, de todo o reconhecimento que me
testemunham. Sou amado. Sou respeitado. E nem te falo da
felicidade que sentimos quando damos..."

Não sabendo o que responder, o espírito Maligno foi obrigado
a deixar sair o Senhor Bom que subiu directamente para o sítio
onde o esperavam: o sítio dos bem-aventurados que compreenderam
que para receber, é necessário dar.


Fátima