Palavra do Pastor
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Tempo

"O mundo segue seu curso, em silêncio passam-se os anos, os séculos e os milênios e nós em silêncio passamos". De uma música minha, "no Silêncio".

Os oito anos do serviço petrino de Bento XVI, faz-me lembrar de um bispo africano que também passou apenas oito anos servindo ao povo de Deus, da diocese de Cartago, seu nome: Cipriano. Ele foi sempre criticado por um grupo de presbíteros que não gostaram da sua escolha, de fato foi eleito. Era um professor famoso na grande cidade, lecionava retórica e outros cursos, um homem muito culto. Era ainda neófito e teve que ser ordenado diácono, padre e bispo - os pretendentes ao cargo ficaram super enfurecidos, é claro! Um anos depois o Imperador Romano, Décio, emanou decreto obrigando a todos prestarem culto ao imperador e ai, Cipriano se refugiou em um sitio e seu povo ficou a mercê do decreto imperial. Tempos difíceis, muito difíceis, fora os problemas que vieram depois, como a "questão dos lapsis", isto é os que renegaram a fé. Para encurtar, na segunda perseguição, a de Valeriano, no ano 258, enfrentou vigorosamente os decretos e todos se orgulharam de seu bispo. Foi preso, torturado e martirizado. Deixou Cartas e Tratados, inclusive um sobre "A unidade da Igreja Católica".

Papa Bento XVI também cumpriu seu tempo, oito anos, mais foram certamente medidos não com o 'cronos', mas tempo medido de outra forma, com o 'kairós', pela intensidade. Deixou-nos a firmeza da fé, como dizer: deem razão à própria fé. Na linha da Doutrina Social nos deixou os pilares teológicos da ação sócio-transformadora da Igreja, como nos disse Pe. Guidotti, no curso de Doutrina Social da Igreja. Que Deus abençoe nosso Papa Emérito e suscite no coração dos Cardeais a serenidade e a abertura ao Espírito que é propulsor de 'rerum novarum' na Igreja.

Durante este tempo de Sé Vacante, continuemos rezando pelo Papa Bento, mas unamo-nos em oração pelos Cardeais que têm grandes responsabilidade de interpretar o momento que a Igreja vive e os anseios do povo católico, não digo por mudanças, mas "aggiormanento" como dizem os italianos; eles devem fazer esforço de pensar a Igreja no seu todo e em relação com o mundo, em mudança de época, e escolher uma pessoa que poderia nem ser do Colégio Cardinalício, como permite a 'liturgia' da eleição, mas que, podendo até vir da pariferia do mundo europeu e dos paises ricos, fosse um sinal firme da abertura da mente e do coração de todos. Seria uma grande novidade se se chamasse Calisto, o único que chegou a ser Papa tendo sido escravo. Que beleza!!!