Sabor da Palavra
  • A+
  • a-

Sede Santos

(Mateus. 5, 43-48)

A liturgia de hoje nos põe diante de uma questão crucial para o cristianismo: O amor. Mas diferentemente do amor mútuo também difundido nos Evangelhos, Jesus insiste em um amor mais ousado:  “[...] amai os vosso inimigos, e rezai por quem vos perseguem (Mt. 5 43)” Isto torna-se um imperativo categórico.
Dentro do discurso conhecido como Sermão da Planície, o Mestre surpreende com este mandamento, deve ter sido grande o espanto, e ter causado um frisson danado. Mas o que significa amar os inimigos?  Na verdade deveríamos nos perguntar também por que existem inimigos, se todos foram criados como filhos de Deus, feitos à imagem e semelhança do Pai? Mas isto é uma outra reflexão, que não abordaremos aqui porque nos falta espaço e tempo, assim com também não vamos tentar explicar as definições de AMOR, na língua e na cultura da greco-judaica, pelas mesmas razões. Focaremos apenas na questão do AMAR OS INIMIGOS, como mandamento de Jesus. Afinal do que Ele estaria falando mesmo? Pois trata-se de algo que parece não ter sentido nem para o homem moderno nem para os judeus que o escutavam. Uma coisa parece certa: não se trata de um amor apaixonado no sentido de esquecer o mal a praticado contra nós e refazer ou começar uma amizade como se nada tivesse acontecido. Trata-se, de perdoar (que não significa esquecer) e estar sempre pronto e disponível para ajudar a quem nos ofendeu, quando ele precisar, sem categorizar e muito menos mensurar o mal ou a pessoa. Afina, não compete ao discípulo fazer julgamentos, só a Deus isso é permitido pode e Ele não faz acepção, pelo contrário, “[...] faz nascer o sol sobre os bons e sobre os maus, faz chover sobre os justos e sobre os injustos.” (Mt. 5, 46). Aos pobres mortais resta a obrigação de amar e rezar por aqueles que considerar inimigo. (cf. Mt. 5, 44b)

Neste sentido, é fundamental por parte do discipulado, atitudes diferentes das práticas legalistas e mesmo a superação de uma lei que exclui e separa as pessoas em boas e más. Isto significa realizar o por meio de atitudes práticas que levem todos os seres humanos à realização da sua vocação: ser igual a Deus. (cf. Mt. 5, 48.)

Na vida prática significa dizer que é necessário amar todas as pessoas independente do grau de afinidade que se tenha. Fazer do amor uma oportunidade de se chegar à perfeição, isto passa também pelo amor aos inimigos. Caminho difícil, quando esse que se torna inimigo praticou um mal muito grande em nossas vidas, mas fundamental o exercício da superação, pois não adianta nada se comportar como aqueles que não se fizeram a opção por Cristo. Seria se nivelar por baixo, seria como ser um pagão no meio da comunidade. Que o Senhor no dê forma e coragem para realizar a sua vontade.

Texto: Nilton Lima
 Diocese de Viana