Palavra do Pastor
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Theotokos texto sobre o Tema

Theotokos: Maria, Mãe de Deus

1. Introdução

“Se a todo  mistério cristão Maria contém e espelha, de alguma forma, todos os dados revelados, todo o mistério da divina Maternidade de Maria constitui o centro e a raiz”. Por esta riqueza e complexidade a divina Maternidade em todos os tempos tem postos algum problema a fé e a reflexão teológica, assim como tem constituído uma fonte inesgotável de piedade, de culto, de experiência espiritual e de pura alegria comtemplativa.

O concílio de Éfeso (3º. Concílio da Igreja, 431) naturalmente como o primeiro concílio  Niceia (325) trata sempre da relação entre Jesus e Deus, isto é  a compreensão da divinidade de Jesus; Niceia se escrevia em uma problematica ascedente; em Éfeso o movimento é descendente. No entanto, a Niceia se perguntava até que ponto Jesus era verdadeiramente o Filho de Deus, enquanto a Éfeso a pergunta era: em que senso e de que modo o Filho de Deus se tornou Jesus.

Vejamos que a segunda pergunta é uma repercussão da resposta dada a primeira. Não se fala do homem Jesus, mas do Verbo de Deus, Filho eterno do Pai que é encarnado em nossa natureza atrevés da virgem Maria.

A referência fundamental da Sagrada Escritura é então, a formula do Evangelo de São João; “o Verbo se fez carne” (Jo 1,14). Nestório considerava o homem Jesus e consequentemente põe a pergunta a sua união com Deus: em que modo Jesus é assumido pelo  Logos? Enquanto Cirilo se perguntava de que forma o Verbo de Deus há assumido a humanidade real. A consolidação dos dois pontos de vista háverá somente no Concílio de Calcedônia (451) o quarto Concílio da Igreja, que terá uma integração articulada que põe a distinção sobre a unidade do humano e divino em Jesus Cristo. Este é o chão para se entender o título Theotokos a Maria Mãe de Deus.

2. Ponto de partida da reflexão do termo Theotokos

No ano 428 a Igreja de Constatinopola, da qual Nestório em 10 de Abril foi eleito patriarca, esta sede foi agitada por uma disputa da qual ninguém podia prever que haveria tantas conseguências um tanto grave. O novo patriarca, que se mostrava contra os eréticos com um zelo impetuoso, se mostrou com efeito, assim também como os cristãos em sua piedade amavam venerar Maria, mãe de Jesus com o título de Theotokos, Mãe de Deus. Ele deixa de pregar  e começou a pregar contra este título: “ao final Deus tem uma mâe?”

Esta grande metropole, Constantinopola, começou a se agitar. Mas Nestório insiste, defendendo de modo um tanto desajeitando aceitando que se chamasse Maria Theodokos, “aquela que recebeu Deus”, porém não Theotokos, “aquela que gerou Deus”: Dizia ele “só Deus Pai gerou Deus”.

Este vocábulo, Theotokos, era todavia de longa data tradição na línguagem dos cristãos. Sem falar de um papiro che foi conservado “a antífona mariana grega mais antiga”, onde se pode ver a nossa invocação a Theotokos sancta Dei genitrix “debaixo de vossa proteção e de vossa misericórdia nos refurgiamos, ó santa Mãe de Deus: não desprezeis nossas súplicas, mas livrai-nos do perigos ó  sempre pura e bendita”, este termo se ler também em Origenes, Atanásio, Eusébio de Cesaréia, Cirilo de Jerusalém etc. Vejamos que Juliano Imperador romano (331-363), que renegou a fé (apostata) já observava que “os cristãos não cessavam de chamar Maria Theotokos”, Gregorio di Nazianzo resumiu uma longa tradição e escreveu: “Se alguém pensa que Maria não é a Mãe de Deus, ele está fora da divindade...” João patriarca de Antioquia (429-441), e amico de Nestório, o escreveu apresadamente dizendo “que este termo foi composto, escrito, pronunciado por numerosos padres”.

Então, a piedade e a fé tradicional que Nestório se opôs, não se trata somente de uma questão de palavras, nem de uma disputa entre bispos, como nos seus escritos se observa, é antes toda uma teologia da encarnação que está implicada.

3. Controversia entre Nestório e Cirilo – Divindade e humanidade de Jesus

Como já deu para sentir o expoente do debate é Nestório monge e padre de Antioquia onde exercia seu minestério. Era de uma capacidade elogiável na pregação. Depois de reagir sobre o termo Theotokos (Mãe de Deus), Nestório faz entender que o Verbo não sofreu. É verdade que a dinvindade coeterna  é impassível e não pode nem sofrer nem morrer. A questão é que ele confunde Verbo e divindade, isto é, pessoa e natureza. Nestório erra gravemente quando diz duas naturezas, pensa de fato em dois sujeitos, ou duas pessoas. Segundo a interpretação de Nestório, a encarnação, a paixão e a ressurreição podem muito bem ser atribuídos a Cristo, Senhor e Filho, mas não podem ser atribuidos ao Verbo enquanto tal.

Para Cirilo bispo de Alexandria, Cristo é formado de duas naturezas, pessoa, aquela do Verbo, Divindade e do homem, humanidade de uma só pessoa chamada Cristo e Senhor, dando por certo que nada que si diz a respeito da humanidade de Cristo pode afetar o Verbo enquanto tal. Cirilo afirma: “os termos usado do evangelho, são atribuidos tudo a uma só pessoa, ou seja, unica hipóstase encarnada do Verbo de Deus”. Ele reconhece a existência de uma natureza humana completa no Cristo e sabe a ocorrência integral desta expressão no seu vocabulário. Neste aspecto, poderia falar de duas naturezas; humana e divina.

Um ponto crucial da controvérsia entre Nestório e Cirilo, verte então sobre o modo com o qual se cumpre em Cristo a distinção entre a dus naturezas (humana e divina). Cirilo pensa a partir da analogia da natureza humana composta de alma e corpo. Nos dois casos a distinção é real, não existe nenhuma confusão entre os dois elementos.

Jesus Cristo é Deus e homem; é o filho de Maria “nascido da estirpe de Davi segundo a carne”; mas também é constituido Filho de Deus com potência segundo o Espírito de santificação (Rm 1,3-4). “Sendo de natureza divina, assumiu a condição de servo, e tornou-se igual aos homens” (Fip 2,6-7). Assim, depois de três séculos de vida cristã, três sécolos de reflexões e de controversias, o concílio de Niceia (325) poderia confessar a fé “em um só Deus, Pai onipotente... e em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus...”, que “por nós homems e para nossa salvação desceu do céu, e se encarnou, se fez homem, sofreu e morreu e ao terceiro dia ressuscitou e subiu aos céus...”

É o mesmo Jesus Cristo que é o Filho unigênito do Pai, e que, sendo encarnado e feito homem, é nascido da virgem Maria, que sofreu, morreu e ressuscitou. Um só Jesus Cristo, Deus e homem: éis o essencial da fé cristã, formulada  em documentos conciliares, e eis a fé bastimal, que não esquecerá jamais de se referir á regra como autêtica da fé: a fé da Igreja.

São João nos ensinou que o Verbo se fez carne. Sem dúvida, o senso bíblico do termo, “carne” é toda a natureza humana, como escreveu Cirilo: “Isto que dizemos da carne, o dizemos do homem”. A carne é o homem por inteiro, corpo e alma. Porém, não está aqui a dificuldade do problema. O problema começa quando partindo do esquema Verbo-carne, se procura explicar como o Logos (palavra, verbo) possa ser unido a uma carne. Então vamos entender: O Verbo é unido a carne assim como a alma é unida ao corpo. Como a alma é para o corpo princípio de vida, de movimento, de ação, assim o Verbo é para a carne princípio de vida e de operação. Então, o Verbo (palavra) que estava com Deus e era Deus se fez homem, assumiu a natureza humana; Em outras palavras, Jesus que deste toda a eternidade existia junto de Deus na condição divina, Ele veio a nós nascendo da Virgem Maria, ou seja, na condição humana, como qualquer um de nós. Por isso, é perfeitamente correto afirmar Jesus é Deus e homem, divino e humano ao mesmo tempo. Por isso o termo Theotokos é perfeitamente empregado a Maria mãe de Deus, mãe do Verbo que é Deus e homem, Nosso Senhor Jesus Cristo.

O concílio de Éfeso (431) não formulou nenhuma definição como fez o concílio de Niceia(325), apenas deu uma canonicidade a algumas expressões chave como aquela de união segundo a pessoa (hipóstase) e exemplificando o título de Mãe de Deus (Theotocos) reconhecido a Maria. O concílio resaltou fortemente a unidade do sujeito no Cristo e a verdadeira humanidade e divindade do Verbo de Deus. “...Um só é o Cristo Filho que resulta de ambas (natureza); não porque a diferença das naturezas tivesse sido cancelada pela união, mas, ao contrário, porque a divindade e a humanidade, mediante seu inefávio e arcano encontro na unidade, formaram para nós um só Senhor e Cristo e Filho... Com efeito, não nasceu antes, da santa Virgem um homem qualquer, sobre o qual depois desceria o Verbo, mas se diz que este, unido desde o útero materno, assumiu o nascimento de sua própria carne...”.

4. Conclusão

A realidade da maternidade divina de Maria é firmemente professada pela Igreja primitiva. A Maternidade de Maria constitui a máxima participação e comunhão absolutamente singular, específica e exclusiva em uma visão ampla e universal da encarnação.
Depois da declaração do concilio de Efeso (431), Cirilo dirá em um tom feliz: “toda esta batalha pela fé se levanta contra nós porque temos confirmado que a santa Virgem é Mãe de Deus”. A natureza (physis) do Verbo não tem alguma mudança para tornar-se carne. O Verbo é unido a si segundo a hipóstase uma carne animada de uma alma racional. Ele é chamado Filho do homem, não por sua vontade ou complacência. As duas naturezas são encontradas em uma unidade verdadeira e das duas  se fez um só Cristo e um só Filho.

A diversidade da natureza não é suprimido da união, mas o encontro inefável da divindade e da humanidade realiza por nós um só Cristo. O Verbo nasceu da Virgem Maria, porque ele fez a natureza de sua própria carne. Não é a natureza do Verbo que sofreu, mas porque o seu corpo sofreu, se pode dizer que ele sofreu e morreu por nós.

Santo Irineu enfatiza fortemente que em todos os momentos da história o Logos foi unido aos homens e os acompanhou em previsão da encarnação. Assim como as vésperas do concílio de calcedônia (451) São Leão Magno indicó que o Filho de Deus, assumindo a forma de servo, elevou o humano sem diminuir o divino, de modo a deixar entender que a natureza humana atinge em Jesus uma perfeição nova e única.

A indentidade de Jesus é aquela de Filho de Deus; esta é também a nossa, na participação por pura graça e dom divino.

Que a virgem Maria mãe de Deus (Theotokos) e nossa, conceda-nos pela vossa intercessão a graça de sermos fiéis ao seu Filho Jesus Cristo que de vossa carne fez-se nossa carne.

Pe. George Amaral Muniz.