Lectio Patrum
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Nomenclatura no Estudo dos Padres

Prezados irmãos e irmãs, continuando nosso caminhar rumo ao conhecimento dos Padres da Igreja, trataremos agora da nomenclatura usada na ciência e teologia patrísticas.

Pai/Padre – É um título honorífico usado no Antigo Testamento e no mundo greco-romano, mas que traz consigo muito de humano e espiritual: pai como gerador da vida e cabeça da família, mas também o sacerdote do culto doméstico (pater famílias). Os genitores como representantes de Deus na família e os patriarcas como guardiães da promessa e fiadores da graça da Aliança com Deus, daí a eles obediência e veneração (Antigo Testamento).

O conceito se estendendo ao longo dos tempos (os Pais) adquiriu o sentido de pai espiritual ou intelectual e eclesiástico (mestre, diretor de escola filosófica, rabino). Os apóstolos de Cristo e mais tarde, principalmente os bispos são chamados os Pais dos crentes (Ex.: 1Cor 4,14-15, pois no batismo geravam nova vida e no anúncio e na exposição da fé são mestres e educadores, e como dirigentes da comunidade são as autoridades e os guardiães da família. A partir do século V, os sacerdotes (ex. Jerônimo) e os diáconos (ex. Efrém) são chamados de Pais. Ainda hoje várias línguas continuam chamados os presbíteros, assim: Padre, pater, father, père.

Padres da Igreja ou Santos Padres – Depende o que se quer destacar: se a figura paterna ou a santidade do autêntico transmissor e garante da verdadeira fé, isto é, aquele que vela pela sucessão ininterrupta da fé desde os apóstolos bem como pela continuidade e unidade da fé na comunhão com a Igreja, devendo se ater à Sagrada Escritura e à Regra de fé (regula fidei) da Igreja universal. O Concílio de Éfeso (ano 431 – Símbolo de União) chamou aos bispos que participaram do Concílio de Nicéia de Santos Padres e Padres da Igreja, cunhando assim esta terminologia que mais tarde foi usada por São Basílio de Cesareia como “prova patrística”, isto é, o que disseram os Padres serviu de argumentação para apoiar a sua opinião doutrinária, listando até vários Padres (Sobre o Espírito Santo, cap.29); também Santo Agostinho fez uso dessa argumentação, mas foi Vicente de Lérins quem desenvolveu a teoria da prova patrística.

Por ora ficamos por aqui, continuaremos em outro momento a terminologia patrística.

+ Sebastião Lima Duarte - bispo de Viana