Palavra do Pastor
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Preparando Assembleia Diocesana de Pastoral 2015

ASSEMBLÉIA DIOCESANA DE PASTORAL

Início 12 de novembro  á  15 de novembro de 2015 – Santa Inês

“Elaboração do PLANO quadrienal de PASTORAL”

Metodo: Ver, Julgar e Agir

 

MOMENTO PREPARATÓRIO

(respostas devem ser entregues ao Coordenador do Setor

que deverá levar dia 10 de outubro pra reunião

do Conselho Diocesano de Patsoral – Casa do Sagrado)

 

  1. ATUALIZAÇÃO do Rosto da diocese de Viana

- uma leitura atenciosa feita no Conselho Paroquial de Pastoral

- comparar o que está escrito com a realidade atual da paróquia

- anotar a partir do texto:

            o que mudou? (riscar com uma linha sobre o texto)

            o que acrescentar de mudança? (escrever as mudanças)

            o que permanece do mesmo jeito? (deixar como está sem modificar o texto)

            o que se agravou mais ainda? (sub-linhar e escrever)

           

  1. AVALIAÇÃO das PRIORIDADES 2012-2015

- quais as ações que sua paróquia realizou em cada uma das 5 prioridades?

- a quem as ações se destinaram e quem de fato participou?

- quais mudanças essas ações provocaram na paróquia e na sociedade?

- quais dificuldades encontradas e que está sendo feito para solucioná-las?

 

PRIORIDADES

  1. Igreja em estado permanente de missão
  2. Igreja, casa de iniciação à vida cristã
  3. Igreja, lugar de animação bíblica da vida e da pastoral
  4. Igreja, comunidade de comunidades
  5. Igreja, a serviço da vida plena para todos

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PLANO DIOCESANO DE PASTORAL 2012-2015

I PARTE: A REALIDADE QUE NOS INTERPELA

 

  1. Situação Sócio-cultural

01.Os municípios mais antigos conservam seus povoados quilombolas, reconhecidos ou não. Em algumas áreas não existem conflitos, porém entre outras os conflitos levaram a morte de lideranças quilombolas, como Flaviano, de Charco, em São Vicente Ferrer, que tentam resistir em suas terras e com suas culturas. Algumas dessas áreas vivem em conflito com fazendeiros, que tentam se apropriar dessa terras. 

02.A maioria delas desenvolve vários trabalhos com o coco babaçu e com as suas cascas, tais como: a produção de azeite, fubá para chocolate (mesocarpo), carvão, vendem a amêndoa do babaçu. Por mais que tenham adquirido seus espaços, ainda existem os preconceitos e piadas racistas. Não é possível saber ao certo quantas mulheres vivem como quebradeira de coco. Em alguns lugares elas conseguem ter acesso fácil às palmeiras de babaçu, em outros, porém, encontram resistência para coletar o fruto. Existe muito trabalho nesta atividade: selecionar o coco na mata, descascar manualmente e vender a um preço muito baixo, valor R$ 1,00 o quilo. Ainda não estão organizadas em associação ou outra forma de organização. Muitos se aproveitam desta mão de obra barata: os comerciantes, as indústrias etc. Comercializam de forma desordenada. Talvez, pelo fato de serem semianalfabetas e não terem uma associação. Desconhecem a Lei do babaçu livre.

03.Nas proximidades de algumas cidades existem aldeias indígenas, outras nos municípios que fazem parte da diocese. Sendo que a maioria dos territórios indígenas ficam na diocese de Zé Doca e de Grajaú. Por causa do distanciamento das sedes dos municípios, várias aldeias são atendidas nas primeiras necessidades nas cidades mais próximas, inclusive na questão eclesial. Nessas aldeias e territórios existem exploração ilegal de madeira e as autoridades competentes nada fazem para diminuir ou eliminar o problema. Quando não são coniventes, simplesmente lavam as mãos.

04.Em todas as regiões da nossa diocese o povo tem quase a mesma noção do que seja um conceito de cultura: valores, saberes, costumes, conhecimentos de uma sociedade, transmitidos de geração em geração, através da música, dança, da comida, do artesanato, da escola, do modo de se relacionar e de outras manifestações culturais. O pouco de cultura que sobrevive aparece nas celebrações religiosas (encenações, coreografias, dramatizações), nas festas juninas (quadrilha, cacuriá, bumba-meu-boi e outras danças de origem afro, portuguesa e indígena) e nas comemorações cívicas através da Escola.

05.Somos uma diocese rica de manifestações culturais. Na baixada destaca-se o Bumba-meu-boi, principalmente no sotaque do Pindaré e ainda as danças de quadrilhas; as manifestações religiosas e culturais de raízes africanas: tambor de crioula, tambor de minas, caixas do Divino, terecô e umbanda e ultimamente a influência do reggae, já presente bastante na paisagem cultural destes municípios. Em Pindaré-Mirim e alguns outros municípios ainda existe o cultivo de arroz de várzea. Nas regiões central e sul, a mais novas da diocese - a exceto Pindaré-Mirim - as manifestações culturais se expressam na dança cigana, capoeira e festas como os festivais de peixe e da mandioca. Há cidades onde a festa da independência tem se tornado uma manifestação cultural. De maneira geral, em todos os lugares os festejos religiosos, principalmente dos padroeiros, tornaram-se também manifestações culturais, ou religiosas-culturais. Já no extremo sul da diocese não aparece nenhuma tradição cultural ainda.

06.Na região de Pindaré-Mirim há fatos que causam preocupação, tratam-se do seguinte, pouco a pouco algumas modernidades tomam o lugar da tradição: danças coreografadas em vez do boi arrastando a barra no chão; desaparecem personagens típicos como pai Francisco, Catirina, Cazumbá, etc; surgem vestimentas em forma de abadá, em vez daquelas produzidas pelos próprios brincantes, seja de qual for a brincadeira; música eletrônica em vez de toadas e assim por diante. Aos pouco, isso vai minando as tradições culturais genuínas. Em toda a diocese, foi citado apenas a Associação Cultural Lobato em Santa Inês e a Associação de bumba e de candomblé em Pedro do Rosário. Nas outras cidades não foram constatadas estas associações, ou ao menos não foram informadas nenhuma delas, fato que causa estranheza, pois elas são um meio de se organizar as brincadeiras, e de angariar recursos para realizar seus objetivos.

07.Por outro lado as pessoas dizem que para se expressar e cultivar a cultura das comunidades é fundamental que se promovam seminários e outros eventos, que valorizem os costumes e as crenças populares, resgatem a memória e as raízes e insiram crianças e jovens nas tradições e que se faz necessário também incentivar a comunidade à participação e contribuição com essas manifestações; e ainda utilizar a escola e a família para mostrar o valor da nossa identidade, assim como utilizar as expressões culturais para a inovação na evangelização e, por fim, promover o turismo cultural fazendo parcerias entre grupos e governo, desenvolvendo projetos culturais e tratando a cultura como política pública.

08.A influência das tradições culturais na vida do povo é marcada pelo aumento da venda e consumo de bebidas nas festas populares, que tem como consequência o aumento da violência. Mas há também influências boas como a inserção na comunidade, a transferência de valores e o respeito à diversidade, ajudando a manter vivos os valores culturais e os costumes.

09.Os benefícios, são: convivência, relacionamento e humanização, traz alegria, desperta a criatividade dos jovens, cria oportunidades de se ganhar dinheiro, diversão, lazer, conhecimento da história dos antigos.

O nosso povo assiste de tudo na tv, desde novelas, programas de auditório, filmes de terror, filmes de violência e policiais, esporte, seriados, jornais, desenho; e também canais religiosos. Dessa forma a TV acaba influenciando a vida das pessoas e das comunidades, transmitidos seus ‘valores’, no modo de vestir, de pensar, de agir, além de informar. Outra influência negativa é que fez o povo mudar o jeito de viver a religião, passando a acomodar-se diante da televisão, ficando só em casa.

10.Além da tv os outros meios de comunicação usados são: celular, carros volantes de som, radio comerciais, rádios comunitárias e internet. Esta última mesmo sendo de má qualidade e estando presente praticamente só nas cidades, influencia demais os jovens, principalmente pelo bate papo, namoros e redes sociais, causando até mesmo dependência. Por outro lado, ajuda também na informação, mas afasta os jovens da vida comunitária, social e eclesial.

  1. Situação Econômica: A situação do trabalho e emprego e a realidade econômica.

11.Grande parte da população jovem se encontra desempregada e sem perspectiva, em razão da falta de qualificação profissional. O norte da diocese sofre com a escassez de empregos, existindo apenas empregos públicos municipais e que ainda atrasam os pagamentos em até 06 meses. O meio norte, além  dos empregos municipais que na sua maioria servem como meios de se conseguir votos, vive também a realidade do subemprego na agricultura de subsistência, na pecuária, na pesca e no comércio. No centro e sul, a realidade se apresenta com bastante empregos tanto no serviço público municipal, estadual e federal, no comércio, na indústria da carne, do carvão, na companhia vale, na monocultura do eucalipto, etc. Porém a falta de qualificação empurra muitos pais de famílias para os subempregos com baixos salários.  Em todas as áreas há uma grande incidência do trabalho informal.

12.O êxodo para outros Estados como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catariana, Moto Grosso, Guiana Francesa, Goiânia e Belém, em busca de emprego é um fato presente em todas as paróquias. Por falta de qualificação profissional acabam trabalhando de pedreiros, mecânicos, cozinheira, babá, vigias, no corte da cana, carvoaria, construção civil e em muitas situações se submetendo a trabalhos escravos, ou seja, sem salário e condição digna e mínima para sobreviver. O Trabalho Escravo existe, sendo aquele que a pessoa trabalha sem nenhuma condição, principalmente de segurança e salubridade e/ou recebe um salário inadequado, isto quando recebe. Há trabalho semelhante a este em muitas casas de família, como domésticas, supermercados, armazéns, fazendas, siderúrgicas, carvoarias, restaurantes, e padarias, entre outros. Muitos são escravos de si próprios. Uma das causas é a baixa escolaridade, a falta de acesso aos meios de comunicação, não leem jornal ou revistas ou veem programas educativos na televisão, rádio, etc.

13.Por aqui os direitos trabalhistas são por vezes tão ausentes tanto na zona urbana quanto na zona rural, a mão de obra é muito barata. Um exemplo disso são as domésticas que recebem diária de trabalho no valor de R$ 15,00 ou trabalha mensalmente com o salário de R$100, 150. Os trabalhadores urbanos como pedreiros e carpinteiros recebem uma diária que varia de R$ 35,00 a 50.00. Na zona rural, o valor diverge muito de lugar pra lugar, em alguns o valor pago pela diária na roça fica entre R$15,00 e R$25,00 reais. A maioria dos/as trabalhadores/as não tem carteira assinada. Também é prática comum pessoas serem contratadas sem nenhum direito trabalhista, as vezes faz um acordo de assinar a CTPS por um salário mínimo e receber apenas a metade, dando margem a um grande número de pessoas trabalhando na informalidade e promoverem a exploração do trabalho infantil e a prostituição nos postos de combustível, nas BRs, etc.

14.Na contra mão de tudo isso, surgem em algumas cidades experiências de economia alternativa e solidária, como por exemplo: SEBRAE, Projeto água fria, SENAC. A exploração do trabalho infantil é ainda na maioria dos casos feita pelos próprios pais que empurram seus filhos para este tipo de atividade. Muitas famílias são numerosas e muito pobres, e obrigam as crianças a contribuírem na renda da família. É grande o número crianças nas paradas de ônibus e transportes alternativos, vendendo água, bombons, castanhas, cajus, sendo flanelinhas.

15.A realidade econômica dos municípios eu fazem parte da diocese de Viana não permite a maioria da população realizar sua própria libertação e promover progresso que beneficie os/as trabalhadores/as e torne região viável para  pessoas de diferentes lugares que buscam vida digna para si e seus familiares. É uma economia  que depende em grande parte dos recursos dos governos: Federal, Estadual e Municipal. O povo quase não percebe a aplicação dos recursos existentes nos seus municípios. As prefeituras ou gestores  não tem foco, estão preocupados com enriquecimento pessoal. A maioria da população não está satisfeita com o salário que recebe. As fontes de rendas são diferenciadas nas diversas regiões e basicamente giram em torno da coleta e venda de babaçu, da lavoura, da agricultura, aposentados, moto-taxistas, a pesca, vaqueiros, comércio, carvão, os funcionários públicos, o bolsa família, trabalhos autônomos, exploração de mão de obra infantil, prostituição e infelizmente do tráfico de drogas.

16.Os programas Sociais do Governo Federal tiveram grande impacto: muitas famílias residiam em casas de taipa (palha e barro) e se acomodaram pelo fato de participarem deles, especialmente o Bolsa Família. De certa forma aumentou a qualidade de vida e aumentou também a freqüência escolar. O Pro Jovem tem melhorado a situação econômica das famílias e tirou muitas crianças, adolescentes e jovens das ruas. Por outro lado, houve comodismo e dependência dos beneficiados. O Bolsa Família deixou muitas pessoas acomodadas, alavancando o assistencialismo. Nem sempre o dinheiro recebido desses programas é gasto na sua finalidade original, é desviado até para festas e bebedeiras. E, pela acomodação, alguns perderam a criatividade para melhorar sua situação econômica, sobre tudo na agricultura familiar, artesanatos, etc. Existe no Maranhão o programa Viva Luz que beneficia as pessoas de baixa renda.

  1. Situação Política: Uma realidade histórica de corrupção e descaso.

17.Quando falamos em política, surgem diversas opinões, alguns dão respostas rápidas e claras, outros carregadas de sentimentos individuais e há alguns que preferem a omissão a cerca do assunto. O certo é que esta discussão é abrangente e sendo este assunto de grande importância, faz-se necessário que participemos ativamente do processo, visando melhores condições de vida diante da realidade que nos cerca.

18.Na maioria dos municípios existem grupos já enraizados onde há uma tendência fortíssima de monopolização. O nepotismo é muito acentuado e as ações desenvolvidas são mínimas. Algumas sendo executadas apenas para servir de garantia de voto. Ao olharmos nosso passado, quando a Ditadura Militar “silenciava” muitos questionadores, lançamos luzes para os dias atuais e encontramos hoje uma nova forma de calar. Elas estão de trajes novos mas não deixam de ser perseguição política, apresentam-se nas exonerações de cargos, transferência de setor, dentre outros.

19.Observamos que existe uma alternância nos poderes executivo e legislativo, mas não mudam os grupos que manipulam o povo com favores políticos, promessas de emprego, etc. As escolas não falam da política verdadeira, de cidadania e nem de liberdade. Como a campanha eleitoral custa muito caro nestas regiões, onde o assistencialismo é garantia de voto, busca-se dinheiro nos mais diversos grupos e pessoas, que emprestam a juros altíssimos aos candidatos. Uma vez eleitos, eles priorizam pagamentos de suas dívidas e os projetos em prol da comunidade ficam para os últimos meses dos mandatos e quase sempre deixam pela metade, sendo realizadas poucas coisas, como: pavimentação de algumas ruas, conservação de vicinais, construção de postos de saúde, festas públicas com bandas populares, algumas escolas reformadas, estrada, casas populares construídas, caixa d’água nos povoados onde não têm e quadras de esporte.

20.É sabido por uma minoria que a função do Prefeito é administrar e sancionar os projetos requeridos pelos vereadores, buscar parcerias com os governos estadual e federal e executá-los; e os vereadores devem fazer projetos visando à melhoria da população em geral e os secretários devem auxiliar o gestor público na execução, planejamento, coordenação de cada política pública do município visando o bem comum da população. Mas a grande maioria não sabe nada sobre estas coisas. Um grande número de pessoas, dos diversos setores e grupos sociais desconhece seus direitos, pagam seus impostos mas não cobram a devolução destes em serviços nas áreas essenciais como: Saúde, Educação, Moradia, Lazer, Segurança Pública, Segurança Alimentar, entre outras.

21.Mas há aquelas vozes que dizem que é preciso analisar bem as propostas dos candidatos, tendo claro que o Direito a cidadania, é votar e ser votado, ir e vir, manifestar, se organizar, protestar, exigir e participar; deixando de lado os interesses pessoais, favores, conveniências, votos de cabresto, por engano, por obrigação, por fidelidade, por medo, por coação, para não dar voto perdido nem alimentar o ciclo vicioso da corrupção.

22.A Igreja e os Conselhos de Políticas Públicas. Algumas paróquias estão organizadas de forma a atuar com representantes em alguns conselhos, como: Conselho de Saúde, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente; Conselho Municipal de Assistência Social; Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional; Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável; Conselho Tutelar. Mas a grande maioria não possui conselhos e quando possui não são atuantes, ficando a igreja sem participar deles, seja por não acreditar na transparência ou por não ter oportunidade de participação, pois até o processo de formação de tais Conselhos, fazem parte de jogadas políticas locais.

23.As leis anti-corrupção eleitoral. Quando o assunto é a Lei 9840 que trata da corrupção eleitoral, há paróquias que têm comitês organizados para fiscalizar e enviar à Promotoria denúncias  sobre compra de votos. Porém, na maioria das paróquias é necessário um trabalho mais amplo em relação à corrupção eleitoral, pois muitas comunidades desconhecem essas leis, seja por falta de interesse ou oportunidade de formação e organização. Em relação à Lei complementar 135/2010 (Ficha Limpa), esta é vista por alguns como “Ilustre Desconhecida”. Em algumas poucas paróquias chegou-se a fazer curso de formação com esta temática. Sabe-se ainda que ela não foi aplicada devido a decisão do Supremo Tribunal Federal.

  1. Responsabilidade social

24.Quanto à Educação, constatou-se que houve uma evolução, principalmente se comparado a 15 ou 20 anos atrás,  isso por conta do incentivos do governo federal que ajudou a melhorar um pouco a infra-estrutura dos prédios e a remuneração de pessoal. Contudo, a precariedade das escolas é ainda uma realidade muito viva em todas as paróquias, principalmente nas comunidades rurais, tendo até capelas que funcionam como escolas, ou escolas funcionando em casa de shows, as quais, em sua maioria, são de pau a pique, cobertas com palhas de babaçu (chamadas barracões). Muitas delas não tem paredes ou lugar para os alunos sentarem, obrigando-os a sentarem-se no chão. Por causa da falta de prédios para o ensino fundamental e médio, existem os chamados turnos intermediários: aulas da 07h30 às 10h30, das 11h00 às 14h00 e das 14h30 às 17h30. Outro fato estarrecedor é a falta de creches em muitos municípios.

25.A tecnologia no que diz respeito a salas de computação e ao acesso à internet não faz parte da realidade escolar nem da rede municipal, nem da rede estadual com exceção de algumas poucas sedes municipais. Aliás, falta quase tudo que sirva de incentivo para a aprendizagem ou mesmo para manter os alunos na escola; falta transporte escolar digno. Na zona rural este transporte geralmente é feito em paus-de-arara ou em ônibus em péssimas condições de conservação. A merenda escolar é escassa, resumindo-se muitas vezes a suco com biscoito, em virtude do dinheiro da merenda ser o principal alvo de corrupção. Desvia-se o dinheiro para o bolso de poucos. Outra realidade que descontenta é a falta de interação entre família e escola, assim como a falta de professores/as e dentre eles lamenta-se os que exercem a função apenas por falta de outras oportunidades, também aprovação de alunos sem nenhuma condição e/ou sem aprender nada. De maneira geral os professores são mal remunerados. E em alguns municípios não há visita das equipes pedagógicas ao interior, e os conselhos escolares não funcionam.

26.Quanto à saúde. A saúde neste chão da diocese de Viana é o retrato do que acontece no Brasil. Em pouquíssimas cidades encontramos instalações hospitalares que sejam de propriedade do município ou do Estado, a maoria funciona em prédios alugados. Por todos os lados se ouve denúncias de que nos hospitais falta roupa de cama, os leitos são insuficientes, há muita negligência e despreparo dos funcionários. Há de se considerar os elefantes branco, hospitais que nunca foram concluídos e que serviram para campanha eleitoral. Nos lugares onde há hospitais (próprios ou alugados) se reclama da falta de atendimento digno aos doentes e do sucateamento e da superlotação. Existem exceções, mas na média esta é a realidade. Nas comunidades não há postos de saúde suficiente e onde eles existem, geralmente não há médicos. Há grande carência de profissionais qualificados, desde médicos até agentes comunitários de saúde, resultando em descontentamento quanto ao atendimento.

27.A população reclama ainda da falta de remédios e da dificuldade para se conseguir fazer exames: são poucos, malfeitos e se atém só ao básico e à realização de Raios X, muitas vezes feitos por profissionais sem a devida formação para isso. Considerando as raras exceções, as ambulâncias são sucateadas e causam males aos doentes ao transportá-los para os centros mais avançados. Em algumas cidades ainda morrem crianças prematuras e há falta de instalações adequadas para elas. Acentua-se demasiadamente o trabalho curativo e quase nada se investe numa saúde preventiva. Pensa-se que seja proposital porque assim dá mais visibilidade e rende mais votos para os gestores.

28.O nepotismo está por todos os lados, mas é na área da saúde que ele se faz mais visível. Em determinadas cidades, os únicos médicos que existe são filhos, irmãos, ou esposa (as) dos secretários (as) de saúde ou dos gestores municipais. A renumeração dos médicos amigos e parentes é alta para trabalhar pouco tempo e muitas vezes nem aparecem. Fato que ocasionam um atendimento à população feito por estudantes, médicos recém-formados e enfermeiros ou técnicos em enfermagem, que por serem mal remunerados trabalham em vários municípios.

29.Assistência Social. A assistência se resume apenas a prestação de favores como facilitação de aposentadoria e ao atendimento de necessidades imediatas, baseadas apenas em programas do governo federal como CREAS, CRAS, CAP´S, PROJOVEM, que não existem em todas os municípios. Via de regra este atendimento é feito apenas nas sedes dos municípios sendo até mesmo desconhecido para a população do interior. Há cidade onde existem duas assistentes sociais e este é todo o efetivo técnico daquela Secretaria de Assistência Social. O CAP´s só existe em uns poucos municípios. Há casos até em que a própria secretária é presidente do conselho de Assistência Social, dificultando a fiscalização da aplicação dos recursos. No meio de tudo isso, ainda há quem diga que os funcionários atendem bem e dão conta do recado.

30.Segurança Pública. A presença do Estado no que diz respeito à segurança pública só é percebida nas sedes municipais e assim mesmo de forma tímida. Prova disso é o aumento da violência e da criminalidade, como: aumento de roubo de veículos, trafico de drogas, assassinatos, corrupção dos membros da justiça e dos políticos. Nem todas as cidades têm delegados de carreira nem a presença de policiais civis. Os promotores e juízes, em sua maioria só estão na cidade onde trabalham de terça a quinta até ao meio dia; várias cidades nem mesmo tem a presença destes servidores. Em alguns municípios, o efetivo policial de tão pequeno chega a ser ridículo e os policiais militares realizam blitz e cobram infrações dos motoristas e parece que com isso conseguem um pouco mais de recursos. Há região da diocese onde o índice de assalto e assassinatos está acima da média. Ali existem reclamações acerca da falta de atendimento ou da morosidade e aparentemente nas cidades a policia sabe onde se vende drogas e não faz nada.

31.Como funcionam os conselhos municipais. Quando analisamos a situação dos Conselhos Municipais constatamos uma realidade muito triste: quase sempre eles funcionam atrelados aos gestores públicos e funcionam precariamente, muitos existem só no papel. Outros existem apenas para que os conselheiros assinem atas e são constituídos por membros desqualificados e até mesmo com interesse financeiro.

32.Organização da sociedade civil. Na maioria das comunidades não há associações, nem sindicatos e onde existem são inativas, ou ainda possuem figura do dono da associação com interesses escusos, principalmente desviar dinheiro do governo federal para o enriquecimento ilícito. São influenciados por siglas partidárias ou ligados a elas, e muitas vezes são dirigidas pelas mesmas pessoas há anos. Na região da baixada e nas regiões ribeirinhas há ainda a questão das colônias de pescadores, nas quais se registram centenas de pessoas que nunca trabalharam com a pesca e tem apenas o interesse de receber a mesada do governo federal no período do defeso. Essas associações e sindicatos precisam mudar urgentemente e carecem de uma organização melhor para servir aos seus associados e às suas finalidades.

33.Os principais sindicatos e associações que encontramos são: Associações de Moradores, de Produtores, de Catadores de Material Recicláveis; Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais – STTR; Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – SINTRAF; Sindicato dos Madeireiros; Sindicato dos Professores;

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais; Sindicato dos Taxistas; Sindicato dos Motos taxistas; Cooperativa dos Transportes Alternativos – VANS; Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde – ACS;

RECID; Fórum de Políticas Pública de Buriticupu – Lei nº 9840/99; Rede Justiça nos Trilhos; Colônia de Pescadores; Sindicato dos Pescadores; Sindicato dos Alfaiates e Costureiras.

34.Infra-estrutura básica das cidades e povoados. Nosso povo vive em meio a uma infra-enstrutura precaríssima. Nossas cidades e povoados parecem viver em realidade de muitos séculos atrás, um caos completo. O grande problema é o da água.  De todos os municípios só  Alto Alegre do Pindaré disse não ter problema de água nem na sede nem no interior. Nos demais, os problemas são os seguintes: água escassa, cara e sem tratamento. Em Buriticupu, por exemplo, tanto o solo quanto o subsolo estão contaminadas e pior, ainda se compra uma pipa de água (seis ou sete mil litros) ao custo de 40,00 reais. Há pequenas cidades, nas quais já existem rodízio de água, uma vergonha.

35.Por todo lado há reclamação quanto à iluminação pública: A taxa cobrada é cara e as ruas são escuras em quase todas as cidades e nas comunidades do interior a situação é pior ainda. Demonstrando claramente haver desvio de finalidades dos recursos. As ruas das cidades e de muitos povoados foram e estão sendo pavimentadas, mas com asfalto de péssima qualidade que se desmancha logo nas primeiras chuvas, mesmo assim isso deu uma certa dignidade e valorizou os imóveis de muita gente. No sul da diocese não há nem sinal de pavimentação, só muita poeira, lama e buracos. Uma reclamação que merece atenção é a falta de arborização da maioria das cidades e/ou povoados.

36.Violência contra a mulher e crianças. Temos uma sociedade machista, na qual é muito presente a violência contra a mulher principalmente dentro de casa e de maneira velada. Na grande maioria das vezes, não há denúncia por medo, insegurança ou até por não se ter a quem denunciar. Em toda a diocese só foi constatado uma delegacia da mulher, mas sem delegada. A lei Maria da Penha incentiva a denúncia, contudo a grande maioria das mulheres nem tem conhecimento desta lei.

37.A realidade das crianças e adolescente é muito parecida com a das mulheres, sendo que neste caso temos o agravamento devido muitos pais mandarem seus filhos trabalhar para complementar a renda familiar. O número de crianças exploradas e abusadas vem aumentando. A presença do Conselho Tutelar é bem significativa em muitos lugares. Infelizmente é inoperante na maioria das cidades. Não podemos deixar de mencionar a prostituição infanto-juvenil, incentivada pelos pais por vezes.

  1. Situação Ecológica

38.Apesar das novas leis, das campanhas publicitárias e de acordos internacionais sobre o meio ambiente, os problemas ambientais ainda são enormes.  O problema mais grave é o estrago feito pelo desmatamento ilegal que atingiu patamares estrondosos ao longo dos anos, pois o mesmo é uma das fontes de renda local. O exemplo mais recente disso, é a região de Buriticupu, que inchou em torno da indústria criminosa e predatória de extração de madeira e agora avança nas terras indígenas para fazer sobreviver esta exploração. Na região pode-se citar também a poluição causada pelas serrarias, localizadas próximo a algumas cidades.

39.Saneamento básico e rede de esgoto é um artigo de luxo, só algumas cidades possuem e em quantidade bem pequena, quase insignificante. Tratamento de esgoto não existe em lugar nenhum, normalmente ele corre a céu aberto e é jogado nos rios e igarapés. Santa Inês, por exemplo, é uma cidade toda cortada de igarapés, mas todos contaminados pelo esgoto jogado diretamente neles. As queimadas, a falta de coleta seletiva (em alguns casos, falta mesmo a coleta simples), a falta de aterro sanitário obrigando que o lixo seja jogado em lixões a céu aberto e falta de consciência ecológica das famílias que jogam o lixo em frente às suas próprias residências, nos arredores dos povoados ou queimam nos quintais contribuem em muito para piorar a realidade ambiental. Não há nenhuma forma de prevenção ambiental, nenhum grupo trabalha sobre consciência ecológica, nem as Secretarias de Meio Ambiente se sensibilizam com esta realidade. Por exemplo, as mesmas prefeituras que tem a dita secretaria coletam lixo de forma inadequada e o que eles coletam jogam ao ar livre, perto de lagos; são poucos os abatedouros de animais existentes. Porém,as questões mais urgentes são o tratamento da água, a consciência sobre as queimadas, o cuidado e reflorestamento das margens dos rios.

40.Algumas pessoas acham que precisam fazer grandes coisas para mudar a atual situação do meio ambiente, mas são as pequenas atitudes que fazem a diferença. Há uma necessidade enorme de formação nesta área, mostrando à população a importância da preservação e conservação dos recursos naturais. Diante disso pode-se afirmar que a discussão sobre meio-ambiente está longe de chegar ao fim. É consenso em todas as paróquias que a realidade que os cerca exige medidas imediatas e eficazes, pois as ações realizadas são mínimas. Alguns setores da diocese realizam formação semestrais, encontros, palestras e campanhas sobre o assunto, mas ainda se faz necessário aprofundar a temática, sendo que as comunidades carecem de iniciativas.

41.Mas existem ações nesta área em alguns setores: Um Agente Comunitário atuando na preservação e conservação das matas e nascentes; ONG Pró-Natureza (Revitalização do Rio Pindaré, plantação de árvores de grande porte às suas margens para manutenção das matas ciliares); Fórum de Políticas Públicas; Projeto Justiça nos Trilhos; Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis que atua a partir da consciência e da formação política.

  1. Situação Religiosa

42.Nessa mudança de época em que vivemos, com o surgimento de novos valores e uma sociedade plural marcada por forte apelo ao consumo, visando somente o lucro e reduzindo as pessoas a peças e produtos do sistema, a própria religião vem se tornando cada vez mais mercadoria. Cremos ser esse um dos nossos maiores desafios à evangelização. As pessoas são vítimas de um constante bombardeio de novidades através dos MCS que somados à falta de conhecimento, ao alto índice de analfabetismo e à atividade pastoral da Igreja que na maioria das vezes não passa de uma tintura de verniz, possibilitam uma enorme manipulação das pessoas  mediante os avanços midiáticos que vem moldando uma nova cultura (artificial, enlatada), impondo e destruindo os valores culturais que estão na raiz dos costumes e tradições da vida do povo.

43.É muito presente nesse contexto o pluralismo religioso, o surgimento de muitas novas igrejas que se utilizando da mídia e de um “falso profetismo”, de uma teologia da prosperidade, assim como de uma religião desvinculada das questões sociais, sem nenhum compromisso com a transformação da realidade, onde aparece um forte proselitismo que prega um Deus distante e juiz, com uma pregação onde tudo que acontece de ruim ao ser humano é culpa do diabo. Muitos católicos (na maioria, só de batistério) migram a essas novas experiências religiosas com onde são transformando (via lavagem cerebral) em “novos cristãos” à serviço de “igrejas” onde a idolatria do dinheiro e do lucro substituem as devoções e os santos. Trata-se de católicos que foram doutrinadas para receber sacramentos, mas não evangelizados para serem cristãos autênticos. São os católicos de rótulo que vem à Igreja quando necessitam receber algum sacramento (desobriga) ou rezar pelos seus entes queridos. Outros não vêm à igreja por causa de escândalos morais que a mídia explora, com enorme exagero, pela briga de ibope em horários nobres.

44.A toda essa situação percebe-se uma fraca atuação da igreja devido ao despreparo dos presbíteros para lidar com “esse novo” que se faz presente. Soma-se a isso exagerado clericalismo em nossa igreja e a escassez de presbíteros e agentes evangelizadores e também deficiente formação das lideranças. A área geográfica que compreende nossa Diocese é marcada por uma diversidade de propostas religiosas e uma verdadeira competição entre “igrejas evangélicas” tirando “crentes” uma da outra. Sem distinguir pentecostais e neo-pentecostais e outras, elencamos aqui o nome de algumas igrejas presentes na área da diocese: Assembléia de Deus, Igreja Batista, Adventista do Sétimo Dia, Testemunha de Jeová, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja Messiânica, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça, Igreja Presbiteriana, Congregação Cristã, Santo Daime, Igreja de Cristo, Igreja da Plenitude do poder de Deus, Joihey (Centro Espírita), Casa de Umbanda, Espiritismo, Candomblé, Macumba.

45.Geralmente essas igrejas se instalam nas periferias urbanas, onde muitas vezes a igreja católica ainda não chegou e acabam atraindo as famílias que migraram da zona rural e estão à margem da  realidade urbana sob todos os pontos de vista. Muitos são atraídos por elas devido à sua proximidade e a distancia geográfica da igreja católica. Outros fatores que tem levado muitos católicos a deixar a Igreja, são: a ignorância religiosa e desconhecimento da história da Igreja Católica, a influência de outras pessoas como parentes, amigos e familiares que já se “converteram”; programas televisivos que vendem uma imagem falsa de Deus (deus ligt) e de religião, como também bênçãos miracuculosas de cura, emprego e bem estar social (consumismo, comércio religioso). Muitos católicos de tradição familiar tem interesse apenas nos sacramentos da Igreja e quando os recebem, mediante uma tintura de Catequese  (encontro com a doutrina e não com a pessoa de Jesus) migram para outras igrejas afirmando que “agora encontrei Jesus”, “agora estou salvo”, “finalmente encontrei a verdade”, etc; junte-se a isso o despreparo da Igreja que parou no tempo e insiste num discurso desatualizado e não convincente frente às novas transformações.

46.Nesse contexto marcado por proselitismo e fanatismo é impossível falar de ecumenismo em nível de igrejas, mas no cotidiano sem entrar em assuntos de religião, as relações pessoais são tranqüilas, amigáveis e respeitosas. Temos uma fraca participação das pessoas nas Comunidades  e isso se deve em grande parte à falta de uma evangelização mais séria; contribue ainda a falta de padres e irmãs (freiras), às enormes distâncias, o comodismo, a mentalidade sacramentalista e o modelo pastoral de Igreja (muitas vezes arcaico) que não fala a linguagem do povo de hoje.

47.Uma constatação importante é que na Igreja Católica o povo gosta de celebrações, retiros espirituais, encontros de formação, festejos, romarias, procissões, peregrinações a santuários, presença do padre, boa homilia, trabalho catequético. Não gosta de pedofilia, escândalo de padres e lideranças, autoritarismo de padres e lideranças, muita burocracia, falta de  transparência  na administração paroquial, falso profetismo, descaso com o sagrado, omissão da igreja, ignorância política e politicagem e indiferença pastoral. Pede para melhorara espiritualidade presbiteral, mais severidade em relação às normas da Igreja, ter mais tempo para atender o povo, mais interesse pastoral, maior apoio e investimento na formação.

48.Em relação a participação dos leigos na Igreja, percebe-se que em nível de igreja matriz existe uma melhor organização e engajamento pastoral nas celebrações, serviços e ministérios, mas é preciso melhorar muito ainda. No que tange a presença dos padres, bispo, irmãs e coordenadores das comunidades, em média deixam à desejar. Precisam acolher melhor as pessoas, comunicarem-se mais entre si pra falar a mesma linguagem, rever a linha pastoral de  alguns padres a ponto de estarem mais presentes, ter mais tempo para o povo e as comunidades e não de maneira rápida e só na celebração, deveriam apoiar,  incentivar  e acompanhar mais as pastorais, movimentos, ministérios, grupos e organizações da paróquia e das comunidades.

  1. Aspectos da vida eclesial

49.Crianças, adolescentes e jovens. Em relação à participação de crianças, adolescentes e jovens na Igreja, percebe-se que devido a tradição religiosa das famílias que apenas foram “doutrinadas”, há uma preocupação em vista do batismo e da primeira eucaristia das crianças; um contingente menor de adolescentes em busca da Crisma e bem menos são os  jovens que atuam na PJ, na catequese ou em alguma outra pastoral.

50.Religiosidade. Na nossa região, assim como no Maranhão inteiro, durante muito tempo teve uma presença de “igreja das desobrigas” e isto fez emergir uma série de elementos de religiosidade popular que mistura influências afro, indígenas e portuguesa. Sobressaem devocionismo, rezas, santos, romarias, promessas, santuários, etc.

51.Liturgia e sacramentos. Embora hoje seja difícil separar mentalidade urbana e rural por causa da globalização, consumismo e do fácil acesso que se tem aos elementos que caracterizam a vida na cidade, cremos que 80% das paróquias de nossa diocese se caracterizam como realidade rural devido ao grande número de comunidades e pontos de missa (lugares onde só se celebra missa) que se situam nos povoados. Infelizmente ainda somos uma igreja sacramentalista, misseira e de shows religiosos.

52.A formação de leigos ainda é muito deficiente, se resume numa catequese em vista dos sacramentos (Batismo, Eucaristia, Crisma) e cursos para ministros da Eucaristia. O grande desafio é estimular nossos leigos para uma formação permanente que os transformem em cristãos autênticos, comprometidos e sujeitos de sua fé. Outro fator que nos desafia é a Educação Religiosa nas Escolas, espaço onde se deveria oferecer valores humanos e religiosos em defesa e promoção da Vida e do bem comum, percebe-se que a Igreja está praticamente ausente, possibilitando que outras igrejas ocupem esse espaço para veicular seus conteúdos doutrinários.

53.Além das celebrações de missa (mensal, bimestral, ou em média duas ou três vezes por ano nas comunidades mais distantes devido ao acesso e o tempo do inverno - período das chuvas) e da celebração da Palavra (nos fins de semana), nas comunidades existem outras atividades, como: Adoração, catequese, formação para pais e padrinhos, estudo do Evangelho, momentos de oração, festas juninas, shows, retiros, gincanas, rifas, bingos, reuniões nos bairros, cursos, oficinas de formação, legião de Maria, terço dos homens, celebração da palavra,  grupos de oração, pastoral da acolhida, novenas, reza do terço e visita aos doentes,  visita missionária às famílias, etc. Porém há comunidades que se contentam apenas com missa e as celebrações semanais da Palavra.

54.Existem ao menos em teoria muitas pastorais, movimentos e grupos, embora não presentes em todas as paróquias, como: Catequese, articulação diocesana das CEBs, articulação diocesana das Santas Missões Populares e pastoral Missionária; Pastoral da Criança, Pastoral do Dízimo, Pastoral da Família, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Juventude, Pastoral do Rosário, Pastoral Litúrgica, Pastoral da Comunicação,  Pastoral da Acolhida; grupo de Estudos Bíblicos, Missionários Mirins, Infância Missionária, Associação Quilombola; Renovação Carismática Católica, Terço dos Homens, Terço das Mulheres, Legião de Maria, Apostolado da Oração, Irmãos do Santíssimo, Ministério de Música e Equipe de Liturgia,  Ministros(as) Extraordinários(as) da comunhão eucarística, Mãe Rainha...E ainda em fase de criação a Pastoral da Mulher, Patoraçl Carcerária, Grupo de Leigos e Pastoral Afro

55.Essas Pastorais, Grupos e Movimentos se reúnem regularmente mas ainda estão longe funcionarem como lugares de crescimento, de amadurecimento, de profetismo e de agentes transformadores como fermento na massa. Prova disso é que embora haja um grande número de pastorais e movimentos, como também enxurrada de novas igrejas que surgem em cada quarteirão de nossas cidades e cada dia vemos aumentar a violência, corrupção e agressão à vida.

56.Bíblia e catequese. Quase todas as comunidades têm “catequese” para Primeira Comunhão, embora deixe muito a desejar devido ao número reduzido de catequistas adolescentes entre 14 e 17 anos e outros na faixa etária de 50 ou 60 anos de idade – sexo feminino, frente ao grande número de pessoas que ali se dizem católicas (batizadas). Em relação aos sacramentos, geralmente na sede da paróquia são celebrados todos, exceto a Ordem. Já nas comunidades de modo geral se tem batismo e primeira eucaristia que praticamente existem em quase todas as comunidades, enquanto que crisma, confissão e matrimônio já são bem mais raros e de menor interesse.

57.Formação dos discípulos-missionários. Em nível diocesano o processo de Santas Missões Populares assumido a partir  de meados de 2009, despertou, reacendeu, reavivou a  vida de muitas Comunidades a partir das quais muitas pessoas voltaram a participar da vida da Igreja. Ultimamente se percebe um certo esfriamento neste processo devido ao desinteresse de padres e lideranças. Cremos que é preciso arregaçar as mangas e retomar as S.M.P, porque este é um dos caminhos na atual realidade de nossa Igreja que envolve leigos e leigas como sujeitos da evangelização. É difícil precisar o número de missionários, porque depende muito da extensão das paróquias e comunidades, mas pela participação nos Retiros diocesanos e paroquiais, cremos ter uns 7.000 missionários (as) na nossa diocese.

58.Quanto à Formação, a maioria das paróquias dizem oferecer uma formação básica para catequistas e encontros para pais e padrinhos em vista do Batismo; tem-se ainda formação para líderes da Pastoral da Criança, um pouco de formação litúrgica e também formação bíblica.

59.A organização paroquial. Embora haja consciência da importância e necessidade dos Conselhos na Paroquial e  nas Comunidade (CPC), do Conselho Paroquial de Pastoral (CPP) e Conselho Administrativo e Econômico (CAEP) e mesmo sabendo sobre o funcionamento pastoral e administrativo (planejamento, articulação e avaliação) e da participação dos fiéis leigos, nem todas as paróquias tem  estes Conselhos implantados e funcionando. Sabe-se que após a Grande Semana diocesana do Dízimo (2011) foram criadas Equipes de Pastoral do Dízimo em muitas paróquias e essas acabam realizando, em parte, a função do CAEP.

60.Em algumas paróquias o padre juntamente com a Equipe da pastoral do dízimo realizam Prestação de Contas (demonstrativo financeiro) verbal ou afixado no mural da igreja ou na secretaria paroquial, onde são expostas as entradas e saídas do mês.