Reflexão Diária
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A Fé Não Tem Fronteiras

Um dos caminhos para encontrar Deus é o sofrimento; são as dificuldades; é quando a gente se sente miserável ou em crise.

A vida pode ser bela, ela pode sorrir, mas não em todos os momentos. Toda pessoa adulta sabe que a vida nos proporciona momentos bons e momentos desagradáveis. Não tudo é perfeito. E nesse caminho da imperfeição, quando nos sentimos necessitados é quando mais procuramos a Deus.

O famoso escritor russo, Alexandre Solshenitsyn, nascido durante o regime comunista, cresceu ateo, sem fé. Ele era capitão do exército russo. No final da segunda guerra as autoridades encontraram no seu bolso uma carta na qual criticava o ditador Stalin. Então foi enviado a realizar trabalhos forçados na Sibéria por dez anos. Lá no exílio, na solidão e no sofrimento ele começou a questionar o seu ateísmo. Quando voltou para a sua casa, não somente acreditava em Deus mas também acreditava no perdão dos pecados por meio de Jesus Cristo. No sofrimento encontrou a Deus e sentiu pela primeira vez, a alegria e o sentido de viver.

Deus queira que ninguém de nós tenha de passar por semelhante sofrimento para encontrar-se com Deus. Mas a lição está. Muitas vezes o procuramos e o encontramos nas dificuldades. Alguém afirmava em forma exagerada: "Ninguém chega a Deus senão pelo sofrimento".

No evangelho deste domingo vemos a mulher cananéia, que no desespero grita a Jesus: "Jesus Filho de Davi, tem piedade de mim". Ela era pagã, não era da raça judía, e nem sequer conhecia o Deus de Israel; procurou a Jesus para apresentar-lhe a sua maior preocupação: a saúde da sua filha. Jesus permanece em silêncio, aparentemente insensível ao seu pedido. Os apóstolos impacientes insistem que solucione o problema, ou cure de uma vez ou a mande embora. Jesus responde: "Fui enviado só para as ovelhas de Israel".

Mas ela insiste: "Senhor vem em meu socorro"! E Jesus lhe dirige uma expressão dura que os judeus usavam quando se referiam aos pagãos: "Não é bom tomar o pão da mesa dos filhos para lançá-lo aos cachorros". E ela com insistência e humildade prossegue: "Sim, Senhor, mas também os cães comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos".

Esse é um dos trechos mais comoventes do evangelho. Jesus fica impressionado pela profunda fé e humildade da mulher e lhe diz: "Mulher, grande é tua fé, seja feito como tu queres"!

Pareceria que o grito da mulher comoveu o coração de Jesus. A primeira resposta de Jesus era de caráter institucional: Jesus devia respeitar primeiramente as tradições de Israel. Deus falou aos judeus em primeiro lugar. O primeiro povo escolhido para sentir o amor e a salvação de Deus eram os judeus.

No entanto o grito da mulher vislumbra em Jesus algo que vai além da religião de Israel. É o preanuncio da universalidade da salvação. Jesus veio salvar a todos. Aquela mulher que pertencia a uma região pagã, superou as autoridades e a tradição religiosa e por isso gritou, porque viu em Jesus não um enviado de Deus mas o próprio Deus.

A fé não tem fronteiras. A salvação de Deus também não tem fronteiras. Ela é universal. É oferecida a todos os que tem o coração aberto aos dons de Deus, independente de raça, nação, cultura, sexo ou classe social.

Deus ouve o grito da cananéia: "Senhor vem em meu socorro"; do cego Bartimeu: "Filho de Davi tem piedade de mim"; o grito de Pedro: "Senhor, salva-me"; Deus ouve o teu grito, o nosso grito e a nossa oração, quando a fazemos com humildade e profunda fé em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém

por Pe. Volmar Scaravelli