Palavra do Pastor
  • A+
  • a-

Seminário Maior de Viana

Início de Ano Acadêmico e Formativo - 2012

Seminário São Bonifácio – São Luis (MA)

 

Aos dias trinta dias do mês de janeiro do ano de dois mil e doze, os seminaristas da diocese de Viana e demais seminaristas de outras dioceses, juntamente com religiosas, religiosos, leigos e leigas se reuniram, como de costume, para a abertura do ano letivo dos cursos de Filosofia, Teologia e Ciências Religiosas da Faculdade Católica do Maranhão, o Instituto de Estudos Superiores do Maranhão (IESMA). Iniciou-se com a Missa presidida por Dom Sebastião Lima Duarte, bispo diocesano de Viana. Ao termino da Celebração todos foram convidados para aula inaugural no auditório do IESMA, que depois de uma introdução feita por Dom Sebastião, foi ministrada pelo Pe. Delcimar de França Silva, filósofo e professor da Faculdade, reitor do Seminário da nossa diocese de Viana. O tema da aula foi o celibato, como dom de Deus para a Igreja. 

Primeiramente foi frisado o surgiu do celibato na Igreja. Pessoas que se reuniram em pequenos grupos com o intuito de viver uma vida dedicada somente ao Reino de Deus. A Igreja percebeu que tal atitude era boa e que o próprio mestre Jesus Cristo, o Emanuel Deus conosco, não casou e outros personagens bíblicos também não. Desde o início pessoas almejaram viver de forma coerente esta doação total de si mesmo ao Reino. Contudo não podemos cair na ingenuidade em pensar que todos viveram o celibato de forma coerente.

O celibato é um dom de Deus, assim afirmou várias vezes padre Delcimar de França Silva. A vida de um celibatário requer um crescimento pessoal e espiritual. A oração é o pilar que dá sustentabilidade não só ao celibatário, mas a qualquer pessoa cristã que almeja ter uma relação íntima com o Cordeiro de Deus, uma relação de amizade. Por isso “o sacerdote deve ser homem de oração, maduro em sua opção de vida por Deus” (Doc. de Aparecida, n. 195).

O evangelista Mateus nos apresenta a importância do celibato em um sentido escatológico. É importante notar que Mateus enfoca três tipos de eunucos, uns que já nascem assim e outros feitos pelas mãos dos homens, e os que se fizeram eunucos por amor ao Reino de Deus.

Este último tipo de eunuco supracitado tem um sentido escatológico porque “a si mesmos se fizeram eunucos por amor do reino dos céus” (Mt 19, 12), participando diretamente do Reino de Deus. O celibatário é “um homem totalmente livre para servir o seu povo (...) com maior radicalidade” (BASSO 2006, p. 50).  O documento de Aparecida ressalta: “o presbítero é convidado a valorizar como dom de Deus o celibato, que lhe possibilita especial configuração com o estilo de vida do próprio Cristo e faz sinal de sua caridade pastoral na entrega a Deus e às pessoas com o coração pleno e indivisível” (DAP, n. 196).

A Sagrada Escritura nos apresenta Paulo dando ênfase ao celibato quando afirma “queria que todos fossem como eu; aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu” (I Cr 7, 7-8). Mas o próprio Paulo ressalta nessa mesma passagem que cada um recebe de Deus um dom particular, ou seja, um dom característico de cada pessoa. O magistério da Igreja destaca o celibato como “um sinal (...) do qual o ministro da Igreja é consagrado; aceito com o coração alegre, ele anuncia de modo radiante o Reino de Deus” (CCE).

“O celibato é uma resposta de amor que nasce do fascínio por Cristo ao qual o presbítero responde com a totalidade do seu ser. Através do celibato pelo reino de Deus, o presbítero é chamado a identificar-se com cristo no seu amor total e exclusivo à Igreja e na doação completa de sua vida ao povo de Deus”. (Diretrizes para formação dos presbíteros da Igreja no Brasil)

O dia 30 foi ainda especial para nós seminaristas da diocese de Viana, pois além do início das aulas aconteceu também a abertura do ano formativo e de maneira particular a inauguração da nova casa onde residiremos a partir de agora, seminário alugado da diocese de Carolina. Celebramos as Vésperas com a participação dos seminaristas de Bacabal e Imperatriz, que nos ajudaram a cantar os salmos da liturgia, e logo em seguida nos confraternizamos, agradecidos ao Deus Uno e Trino.

Os salmos nos fizeram abrir o coração ao louvor a Deus por suas maravilhas e para nós seminaristas da Diocese de Viana não existiam outros sentimentos se não o de alegria e agradecimento por todas as graças que Deus tem nos oferecido. A celebração foi presidida pelo nosso bispo, Dom Sebastião Lima Duarte, com a presença do Vigário Geral, Mons. Raimundo Nonato, do Reitor, Pe. Delcimar, Pe. Eurico e demais padres convidados e seminaristas de Bacabal, com quem convivemos nos últimos dois anos, e de Imperatriz e Carolina, nossos “vizinhos”.

Sentimo-nos como seminaristas unidos a toda Igreja Católica Apostólica Romana pela celebração da liturgia das horas, mas ao mesmo tempo nos sentimos verdadeiros “Vianenses”. Percebemos e projetamos ali um novo tempo, onde as nossas celebrações e a nossa vida comunitário-formativa vão traduzindo as características próprias do povo de nossa diocese, um povo “baxadeiro”, de muitas raças e etnias, que celebra de forma animada, que carrega em suas veias um jeito “devoto” de celebrar. Sentimo-nos imbuídos por um espírito missionário, espírito este que está cada vez mais se enraizando em nossa diocese, por meio das Santas Missões Populares.

Assim foi o dia 30 de janeiro de 2012. Muitas coisas ficaram gravadas em nossa mente e em nosso coração e as palavras de Paulo aos Tessalonicenses resume parte disso: “O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós”.

 

Misael Barbosa Jansen, seminarista

Texto revisado por Dom Sebastião Lima Duarte