Pastoral do Dízimo
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Entenda melhor o Dízimo

Pastoral do DízimoVocê sabe claramente o que significa o dízimo? Como tem sido a sua experiência como dizimista?

Para lhe ajudar a compreender melhor essas questões apresentarei aqui alguns pontos fundamentais sobre o significa do dízimo para a nossa Igreja.

Dízimo como mandamento da Igreja

Todos nós estamos acostumados a falar sobre os 10 mandamentos da Lei de Deus. No entanto, muitos católicos desconhecem que, além desses, existe ainda os Cinco Mandamentos da Igreja e o dízimo faz parte de um desses mandamentos.

O Catecismo da Igreja Católica nos apresenta o seguinte: “O quinto mandamento (”Ajudar a Igreja em suas necessidades”) recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades” (CIC 2043). Já o Código de Direito Canônico no Cânon 222 nos diz: “Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros” (CDC, cân 222).

Percebemos, então, a importância que o dízimo tem para a nossa Igreja. Mas, não podemos pensar que o dízimo é uma invensão da Igreja Católica. Na verdade, o dízimo sempre esteve presente na história do Povo de Deus. A Bíblia nos apresenta como ele foi vivido em diversos momentos da história.

O dízimo na Bíblia

No Antigo Testamento podemos perceber que desde as origens o povo oferecia os primeiros frutos da colheita e os melhores animais do rebanho a Deus, como forma de agradecimento ou de sacrifício para a expiação dos pecados. Já nos primeiros capítulos do Gênesis nós encontramos exemplos dessa prática de oferendas a Deus. Em Gn 4,1-5 o autor sagrado nos mostra as figuras de Caim e Abel. Caim cultivava o solo e apresentou os frutos de seu cultivo a Deus. Abel era pastor de ovelhas e apresentou os melhores animais do seu rebanho como oferenda a Deus.

A primeira citação explícita sobre o dízimo na Bíblia ocorre em Gn 14, 18-20: “Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho; ele era sacerdote do Deus Altíssimo. Ele pronunciou esta bênção: ‘Bendito seja Abraão pelo Deus Altíssimo que criou o céu e a terra, e bendito seja o Deus Altíssimo que entregou teus inimigos ente tuas mãos’. E Abraão lhe deu o dízimo de tudo.”

Em Deuteronômio 14,22-29 e Deuteronômio 26,12-13 o dízimo é apresentado como um decreto. A cada ano, deve-se separar o dízimo (10%) de tudo o que foi produzido e leva-lo à casa do Senhor. É o dízimo com a finalidade de peregrinação. E a cada três anos, o dízimo deve ser entregue aos estrangeiros, às viúvas, órfãos, enfim, aos mais necessitados daquela época.
A essa altura, estava formado o conceito de dízimo como um imposto fixo, de 10% (a décima parte) de tudo o que era produzido.

Em Malaquias 3, 7-10, o profeta repreende o povo porque havia deixado de cumprir os preceitos em relação ao dízimo. E dá uma ordem, em nome de Deus: “Trazei o dízimo integral para os cofres do Templo, a fim de que haja alimento em minha casa”.
No Novo Testamento o dízimo toma outro sentido. A comunidade não vê mais o dízimo como um imposto, mas como partilha.

"Todos os que tinham abraçado a fé reuniam-se e punham tudo em comum: vendiam suas propriedades e bens, e dividiam-nos entre todos, segundo as necessidades de cada um" (Atos dos Apóstolos 2, 4-5).

"A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum.(…) Não haviam entre eles necessitado algum. De fato, os que possuíam terrenos ou casas, cendendo-os, traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos. Distribuía-se então, a cada um, segundo a sua necessidade" (Atos dos Apóstolos 4,32.33).

Percebemos que aí o sentido de comunidade está muito mais presente. Não basta mais separar 10% do que se produz e oferecer a Deus. Os primeiros cristãos sabiam que tudo o que possuíam não lhes pertencia e que, portanto, deveria estar à disposição de todos. Por isso, apresentavam tudo o que tinham à Igreja (apóstolos) para que fosse partilhado de acordo com as necessidades de cada um.
Não se pode mais pensar no dízimo sem o sentido de comunidade e de partilha.

O Dízimo hoje

Para entender o dízimo hoje é preciso ter em mente duas coisas fundamentais; primeiro, tudo o que somos e o que temos vem de Deus, nada é nosso, tudo nos é dado gratuitamente por Deus; e a segunda coisa é que nós pertencemos a uma comunidade, não vivemos sozinhos, participamos de uma comunidade e somos responsáveis por ela.

Assim, o dízimo, para nós dizimistas, assume os seguintes significados:

  • culto de louvor a Deus. O dízimo expressa nosso amor e fidelidade ao Pai;
  • reconhecimento de que tudo o que temos vem de Deus. Nada é nosso. Tudo o que “conquistamos” foi-nos dado por graça de Deus;
  • comunhão com os irmãos. O que temos foi-nos dado para ser colocado em comum para que cada um receba segundo as suas necessidades. Dízimo é partilha. E partilhar não é dar o que nos sobra, mas dar o que o outro precisa.

Por outro lado, para quem administra o dízimo, ele tem o significado de manutenção. É o que torna possível a vivências das três dimensões da ação evangelizadora da Igreja: dimensão religiosa, dimensão missionária e dimensão social.

A dimensão religiosa se refere à manutenção do templo, da liturgia e dos sacerdotes. É com o dízimo que são pagas todas as despesas relacionadas à igreja-templo: energia elétrica, água, telefone, impostos, reformas, etc. É com o dízimo também que são comprados todos os materiais de uso nas liturgias. Você já parou para pensar o quanto se gasta para que aconteçam as missas em sua comunidade? São as hóstias, as velas, os folhetos, os livros de canto, as vestes litúrgicas, os objetos sagrados e alguns outros materiais. Além disso, é com o dízimo também que são sustentados os padres da comunidade.

Eles são servidores da Igreja e colocam toda a sua vida a serviço da comunidade. A comunidade tem o dever, então, de dar aos seus sacerdotes condições dignas de vida. “Não sabeis que aqueles que desempenham funções sagradas vivem dos rendimentos do templo, e aqueles que servem ao altar têm parte no que é oferecido sobre o altar? Da mesma forma o Senhor ordenou àqueles que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1Cor 9,13-14).

Outra dimensão apoiada pelo dízimo é a dimensão missionária. A Igreja é chamada à missão, a anunciar o Evangelho aos quatro cantos do mundo. E essa ação missionária também requer investimentos. Nada é de graça. O dízimo tem o papel de financiar as atividades missionárias e de formação dentro da comunidade.

A terceira dimensão em que o dízimo é fundamental é a dimensão social. A Igreja Católica fez uma opção preferencial pelos pobres. Tem o dever de promover e ajudar os que sofrem. É missão de todos nós. É com o dízimo que a comunidade pode realizar as obras de caridade e promoção humana, tão necessárias nos dias de hoje.

Você já tinha se dado conta do quanto o dízimo é necessário para o sustento de sua comunidade?
O que o dízimo não é.

Vimos, então, o que significa o dízimo, o que ele é e o que representa para a comunidade. Mas, é preciso tomarmos cuidado com algumas idéias erradas que alguns ainda têm sobre o dízimo. Precisamos saber o que ele não é.
 

  1. O dízimo não é imposto. A Igreja não cobra impostos de seus fiéis. Como vimos, devolver o dízimo não significa tirar 10% de tudo o que ganhamos. Dízimo é partilha, é ir ao encontro das necessidades da sua comunidade.
  2. Dízimo não é mensalidade. Não podemos pensar no dízimo como uma mensalidade obrigatória para a participação na Igreja. Em um clube, é obrigatório o pagamento da mensalidade para que você possa entrar e se divertir nele. O não pagamento da mensalidade implica na perda do direito de utilizar o clube. Na Igreja, não existe mensalidade. A Igreja está aberta e sempre estará aberta à participação de todos. O Dízimo é uma oferta livre e expontânea. Sinal do nosso compromisso com Deus e com a comunidade.
  3. Dízimo não é investimento. Precisamos ter muito cuidado com uma idéia de dízimo como um investimento. “Vou dar o meu dízimo para que Deus me abençoe e me dê tudo o que quero”. Em muitos lugares as pessoas são enganadas com esse tipo de proposta: "Pague o seu dízimo e você verá o que Deus irá fazer em sua vida!".
     

E, assim, as pessoas dão tudo o que tem com o interesse de que Deus lhes dê um bom emprego, uma casa nova, um carro de luxo, etc. Dízimo é ação de graças, é reconhecimento de que tudo o que temos vem de Deus. Nada é nosso.

Concluindo:

Diante de tudo isso, nos resta fazermos uma análise de nossa vida e pensarmos se estamos realmente comprometidos com a obra de Deus, comprometidos com a Igreja, comprometidos com nossa comunidade.
Dízimo é sinal de compromisso. É sinal de fidelidade ao projeto de Deus. É sinal de responsabilidade pela comunidade em que eu participo.
 

Peçamos a Deus que nos ajude a entender melhor o significado do dízimo em nossa vida e nos dê a graça de fazermos essa maravilhosa experiência de ser um dizimista comprometido.
 

Oração do Dizimista:
 

Recebei, Senhor, minha oferta!
Não é uma esmola, porque não sois mendigo.
Não é uma contribuição, porque não precisais.
Não é o resto que me sobra que vos ofereço.
Esta importância representa, Senhor,
Meu reconhecimento, meu amor.
Pois, se tenho, é porque me destes.

AMÉM.