Sabor da Palavra
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Comentário do Evangelho "A Parábola do Semeador"

A Parábola do Semeador

(Mateus 13,1-9)

A palavra parábola vem do grego parabole, e na definição de Aurélio Buarque de Holanda, é uma narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.

No Evangelho de hoje, (Mt 13,1-9) encontramos Jesus fazendo uso de uma didática bastante eficiente, para inserir na realidade humana, o conhecimento sobre a revelação de Deus.

Usando o método das parábolas, Jesus contou histórias sobre os acontecimentos do dia-a-dia, para ilustrar verdades espirituais, e na liturgia de hoje, nos é revelada uma das mais importantes destas histórias, a Parábola do Semeador, encontrada em Mateus 13, 1-23, Marcos 4, 1-20 e Lucas 8, 4-15.

É a partir de elementos presentes na trajetória do ser humano, que Jesus nos fala, enfocando o Semeador, a Semente e os solos para, ilustrar a instabilidade dos homens.

No texto, é narrado o labor de um semeador que lançou sementes em vários lugares, com diferentes resultados, dependendo do tipo do solo onde caíram.

Etimologicamente, o termo semear vem do latim seminare, e significa: deitar ou espalhar sementes para que germinem. Enquanto o termo semeador significa, que, ou aquele que semeia.

            No dia-a-dia do homem comum, que trabalha no cultivo da terra, semear representa a perspectiva de abundância de provisão, para o bem estar e satisfação das necessidades mais urgentes do ser humano.

O trabalho do semeador é colocar a semente no solo. Isto porque, se a semente for deixada no celeiro, nunca produzirá uma safra, por isso o trabalho do semeador torna-se fundamental para a vida.

            O homem do campo conhece muito bem a instabilidade do solo, suas deficiências ou sua capacidade produtiva e investe na probabilidade de produção, respeitando a peculiaridade de cada faixa do terreno.         

A parábola do semeador é de importância ímpar, por isso, conhecida como a “parábola das parábolas”. Em marcos 4, 13, Jesus enfatiza: "Vocês não compreendem essa parábola? Como então vão compreender todas as outras?"

Nesse entendimento, percebe-se que Jesus está dizendo que esta parábola é fundamental para o entendimento das outras.

A história contada por Jesus é simples, porém, profunda e edificante: “O semeador saiu para semear.” Jesus não revela a identidade pessoal do semeador, não o chama pelo nome, nada diz sobre sua aparência. Simplesmente, Jesus põe em contato o semeador, a semente e o solo. Certo de que, a partir dessa combinação, a colheita poderá ser farta, dependendo apenas da estabilidade do solo e dos fenômenos da natureza.

Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram.” Vale notar que a mesma semente semeada era detentora de qualidade uniforme, mas devido a instabilidade do terreno e cada tipo de solo, os resultados foram muito diferentes.

Para o nosso entendimento, a mesma palavra de Deus pode ser plantada em nossos corações no dias atuais, mas os resultados serão determinados pelos corações daqueles que ouvem.

Isso significa que, alguns de nós somos solos de beira de estrada, duro, impermeável. Sendo esse tipo de solo, ficamos de mentes fechadas, não receptivas, impedindo que a palavra de Deus nos transforme.

 “Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda”. As raízes das plantas, no solo pedregoso, nunca se aprofundam. A superficialidade deixa transparecer que durante os tempos fáceis, os brotos podem parecer interessantes, mas, as raízes não estão se desenvolvendo abaixo da camada externa.

 Nas horas difíceis, nas primeiras dificuldades, o resultado é desastroso, com uma pequena temporada de seca ou um vento forte, a planta murcha e morre.

Nós cristãos, batizados em Jesus Cristo, precisamos desenvolver raízes profundas, por meio da fé e da nossa atuação no mundo. A palavra de Deus não deve ser recebida na superficialidade da vida, pois tempos difíceis virão, e somente aqueles que tiverem desenvolvido suas raízes abaixo da superfície do solo sobreviverão.

Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.” Em nossa prática cotidiana, sabemos que as plantas precisam de água, luz solar e nutrientes para sobreviverem. Quando permitimos que cresçam ervas daninhas, junto com a semente pura, a produção da boa semente está comprometida, e corre o risco de nenhum fruto ser produzido. As ervas disputam a água, a luz solar e os nutrientes e, como resultado, sufocam a boa planta.

Olhando em nosso redor, é fácil perceber que o compromisso com a vocação cristã, não anda muito na moda. Isso porque, por qualquer programa social ou até mesmo, político, deixamos em segundo plano a vivência da fé. Existe uma grande tentação a permitir que interesses mundanos dominem nossas vidas. Perdemos as boas energias e não nos resta vocação para devotar-nos ao crescimento da fé e da palavra de Deus em nossas vidas.

Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente.” Por fim, Jesus nos assegura que há o bom solo, aquele que produz frutos, abundantemente.

A semente cai em solo bom, quando conservamos a fé e buscamos produzir frutos de vida eterna. Isso nos dar coragem e disposição para remover todos os obstáculos que aparecem, pois a fé elimina o medo e afasta os sentimentos defensivos, as justificativas e as reações instintivas. Isso nos torna mais humildes e autênticos, e vigilantes, podemos ir ao encontro dos irmãos menos favorecidos, e nos colocarmos a serviço destes. A demonstração da fé passa, sobretudo, pela oração consciente, em espírito e verdade, e pelo serviço aos irmãos.

A explicação de Jesus, a respeito da parábola do semeador, é muito fácil de entender. Significa compreender que os tipos de solos, onde caíram as sementes, corresponde ao tipo de pessoas que ouviram a palavra de Deus, é fácil entender que Deus não impõe a sua vontade sobre os homens, o desejo de Deus é que a humanidade o receba livremente. E mais, nesse contexto, não é nosso trabalho analisar o solo e decidir que tipo de semente plantar.

O resultado do plantio, não depende exclusivamente do semeador, pois se a colheita do evangelho for pequena, é porque o solo é pobre. Acreditamos que Deus, em sua infinita misericórdia, nos convoca a sermos semeadores da semente de sua palavra. Somente plantando a palavra de Deus nos corações dos homens o Senhor receberá o fruto que ele espera.

Aqui há uma lição para todos nós. O fruto produzido depende da resposta à palavra de Deus. É decisivamente importante ler, estudar e meditar sobre a palavra de Deus.

Que a palavra de Cristo permaneça em vocês com toda a sua riqueza, de modo que possam instruir-se e aconselhar-se mutuamente com toda a sabedoria...” (Colossenses 3,16). “Por isso, deixem de lado qualquer imundice e sinal de malícia, e receba com docilidade a Palavra que lhes foi plantada no coração e que pode salvá-los.” (Tiago 1,21).

Se a boa terra é o mundo, este, é discipulado de Jesus. Por isso, temos que permitir que nossas ações, nossas palavras e nossas próprias vidas sejam formadas e moldadas pela palavra de Deus.

A conclusão desta parábola é deixada a cada um, para que descreva que espécie de solo você é.

Diácono José Sales Alencar da Silva