Palavra do Pastor
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20 Anos de Ordenação Presbiteral

“Senhor, aqui estou. Envia-me” (Is 6,8). Com esta frase do profeta Isaías, há 20 anos atrás, convites eram espalhados pelas paróquias da diocese de Zé Doca e entre familiares e amigos, assim como pelo seminário interdiocesano, em São Luis, e por outras dioceses do Maranhão, com um só objetivo: convidar as pessoas para a celebração eucarística presidida por Dom Walmir Alberto Valle, em Carutapera-MA, durante a qual o diácono Sebastião Lima Duarte, seria ordenado presbítero, o primeiro padre da diocese.

A presença de muitos padres, religiosas e religiosos, e uma multidão advinda das comunidades da paróquia São Sebastião, da diocese e de outros cantos lotaram a praça Pe. Augusto Mozzetti, naquela boca da noite, do dia 30 de novembro, de 1991, festa do Apóstolo Santo André. A presença dos povos indígenas representados pelos(as) Guajajarás, do Pindaré, que cantavam e dançavam e tocavam ao som do maracá, os louvores que subiam a Deus numa gratidão tamanha, pela solidariedade que recebiam e principalmente pelo trabalho de Pe. Carlo Ubiali, junto aos povos Indígenas. A participação dos Foliões de São Benedito que introduziam a Palavra de Deus, reforçava o respeito e a pertença ao povo negro e sua cultura e religiosidade.

Foi marcante ainda a presença de Pe. Carlo Ellena, coordenador da celebração e um bom mestre de cerimônia, que mais tarde foi consagrado bispo de Zé Doca e veio me ordenar bispo alguns anos depois; assim como o testemunho dado por Pe. Xavier Gilles, reitor do Seminário Interdiocesano Santo Antônio, que depois de um tempo também ele foi designado como bispo, para a igreja particular de Viana, de quem muito me apraz ser sucessor no pastoreio da nossa diocese vianense. Uma outra presença que marcou muito foi a presença do meu último avô, Marcelino Ferreira Lima, pai da minha mãe, que logo no ano seguinte, em maio, faleceu – foi o primeiro funeral de gente da minha família que presidi a celebração. Que Deus o tenha.

Hoje, olhando o convite daquela ocasião, vejo no verso minha mãe e meu pai ainda jovens que me ajudavam a colocar a estola diaconal, foto que fiz questão de constar no convite para fazer a ligação entre o diaconato que chegava ao fim e o presbiterado que me esperava como o infinito do mar que se me apresentava pela frente, como na face frontal do convite. Vinte anos depois, faz bem olhar para traz e ver o quanto Deus foi propício a mim no desvelamento deste ministério presbiteral que sempre foi colocado mais a serviço dos outros que não para usufruto do que de fato não era meu. Mas, falta uma coisa: Sou muito agradecido ao Senhor pelo chamado, pela capacitação e pelo ‘eis que estarei convosco até a consumação dos séculos”. Agora como bispo, ainda continuo aberto aos apelos do dono da messe – no sentido de que ainda falta para completar em mim o muito que o Senhor me deu e assim como a quem muito foi dado muito será cobrado, então: “Fiat voluntas tua”.

 

Um forte abraço e muitas bênçãos do céu.

Em Cristo Jesus, Dom Sebastião Lima Duarte