Palavra do Pastor
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Mensagem Quaresmal

Caríssimos irmãos e irmãs, em Cristo Jesus, saudações!

Hoje, com jejum e oração e esmola, iniciamos o tempo de preparação para a Páscoa do Senhor, com cinzas na cabeça, em comunhão com toda a Igreja que presente em todas as partes do mundo, caminha de forma cíclica e ao mesmo tempo retilínea, rumo ao dia feliz da vinda do Senhor.

“...rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”. Assim nos adverte o profeta Joel (2,13), como exortou o povo de Israel, para uma mudança de atitude em relação à compreensão e à prática da vontade do Senhor. Pois os gestos externos não bastam, se fazem necessárias mudanças que brotem do coração, do âmago da vida - podendo até passar pelo jejum, pelas lágrimas e gemidos. Porém, o mais importante de tudo é a dupla finalidade da ação, a do homem e a de Deus. Cabe ao ser humano o ‘voltai para o Senhor, vosso Deus’ e a Deus partilhar conosco o seu ser ‘benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo’.

O Tempo da Quaresma tem como finalidade maior nos preparar para a Páscoa, não é jejum por jejum, penitência por penitência – Deus não precisa disso e nem quer que o ser humano que ele arregaçou as mangas para criar viva acabrunhado pelos seus pecados, que já foram redimidos na Cruz e podem ser perdoados na Confissão, ou oprimido pelas injustiças produzidas pela sociedade excludente, que é obra nossa mudar essas relações iníquas. Aqui vale uma frase de santo Ireneu: “A glória de Deus é o homem vivo e a felicidade do homem é a visão beatífica de Deus”. Quando compreendermos estas coisas e descobrirmos que Deus não é bom por nossa causa, mas porque é essência de Deus ser bom, nem fica perdendo tempo com pedaços-de-nós mal resolvidos, mas que nos quer inteiros para a missão salvífica que seu Filho já inaugurou, ai sim – seremos capazes de participar de cabeça erguida do projeto de Deus, assumindo sim os desafios dos tempos de hoje, apesar das nossas fraquezas. A nossa meta maior é o Domingo da Ressurreição e não a sexta-feira santa, que se passa por ela.

As praticas quaresmais que estão no Evangelho desta Quarta-feira de Cinzas (Mt 6,1-6.16-18) são antecedidas por exortações: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus”. A esmola vista humilha o pobre, a oração hipócrita não alcança a finalidade se perde pelas esquinas das praças e o jejum, que empalidece, em vez de fazer o homem sair de si mesmo para encontrar-se com o Outro, enche-o de orgulho. O essencial é abrir-se a Deus, no pobre e no âmago de si mesmo.

Iniciamos, hoje, também a Campanha da Fraternidade que desde 1964 nos inflama para a comunhão como Igreja e nos torna atentos às realidades que afligem o povo brasileiro. O Papa Bento XVI está conosco nesta atividade:  “De bom grado me associo à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que lança uma nova Campanha da Fraternidade, sob o lema "que a saúde se difunda sobre a terra" (cf. Eclo 38,8), com o objetivo de suscitar, a partir de uma reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil, um maior espírito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos e levar a sociedade a garantir a mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudável”. Ademais: “Associando-me, pois, a esta iniciativa da CNBB e fazendo minhas as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de cada um, saúdo fraternalmente quantos tomam parte, física ou espiritualmente, na Campanha «Fraternidade e Saúde Pública», invocando – pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida – para todos, mas de modo especial para os doentes, o conforto e a fortaleza de Deus no cumprimento do dever de estado, individual, familiar e social, fonte de saúde e progresso do Brasil, tornando-se fértil na santidade, próspero na economia, justo na participação das riquezas, alegre no serviço público, equânime no poder e fraterno no desenvolvimento. E, para confirmar-lhes nestes bons propósitos, envio uma propiciadora Bênção Apostólica”.

Caríssimos presbíteros, diáconos, religiosas e religiosos, leigos e leigas iniciemos bem este tempo favorável e que nos inquiete a indiferença religiosa e a inércia de muitos católicos que não participam da vida eclesial. Avancemos como discípulos(as) missionários(as) do Senhor e encontremos maneiras de nos aproximarmos de todos quanto podermos para motivá-los a encontrarem-se com Cristo - caminho, verdade e vida.

Boa Quaresma!

Dom Sebastião Lima Duarte