Notícias da Diocese › 14/03/2018

PADRE JOÃO LEÃO DEHON

Quem é Padre Dehon, Fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração De Jesus

A história de João Leão Dehon não cabe em poucas linhas. Foi sociólogo, escritor, advogado e sacerdote, fundou a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Foi sobretudo um homem de Deus! Sua vida foi uma constante peregrinação marcada por sonhos, novos projetos e intensa vida de oração. Aprendeu a amar a Igreja de maneira muito especial. Ao fim de sua história deixou-nos uma herança: o Sagrado Coração de Jesus.

1. Sua família

João Leão Dehon nasceu no dia 14 de março de 1843, em La Capelle, no norte da França. Seus pais foram Júlio Alexandre Dehon e Estefânia Adele Vandelet, fervorosa devota do Coração de Jesus. Tinha um irmão mais velho: Henrique Dehon.

João Leão foi batizado a 24 de março do mesmo ano, véspera da festa da Anunciação. Anos depois, escreveu: “Era feliz, mais tarde, unindo a lembrança de meu batismo ao do “Ecce venio” de Nosso Senhor” […]”.

Leão Dehon frequentou a escola da cidade. Mas o ambiente não era favorável a uma boa educação. Por isso, seus pais, preocupados com o futuro do filho, o matricularam no Colégio de Hazebrouck, dirigido por padres. Antes de seu ingresso nesse colégio, Leão fez sua primeira comunhão na cidade natal.

 

2. A vocação

No Colégio Hazebrouck, encontrou na pessoa de seu diretor, Pe. Dehaene, um grande amigo que o orientou muito bem na luta pela conquista da santidade. Na noite de natal de 1856, Leão sentiu forte chamado ao sacerdócio. Conversou com o pai a respeito. Recebeu um frio “não”. Júlio sonhava um futuro brilhante e diferente para o filho. Jamais permitiria que ele se tornasse sacerdote.

 

3. Estudos

Em agosto de 1859, João Leão terminou seus estudos secundários e, no mesmo mês, passou nos exames de bacharel em letras. De volta a La Capelle, expôs novamente seu projeto ao pai. Essa insistência do filho caiu como um raio no lar dos Dehon. O pai não aceitava de forma alguma a ideia do filho.

Sem desistir de seu plano, Leão obedeceu momentaneamente a seu pai e vai para Paris. Frequenta o curso de preparação a Escola Politécnica de Paris. Simultaneamente matricula-se no primeiro ano de direito. Mais tarde, abandona a Escola Politécnica e segue normalmente o curso de direito, que lhe parecia mais de acordo com a sua cultura e sua sensibilidade. Em agosto de 1862, obtém a licença e, dois anos mais tarde, em abril de 1864, defende a tese de doutorado em direito.

Durante o período de estudo em Paris, Leão impôs-se um ritmo de vida que favorecia sua vocação sacerdotal. Diariamente participava da missa em São Sulpício, sua paróquia.

Em 1864 Leão Dehon estava em peregrinação pela Terra Santa. No fim desta viagem, parte diretamente para Roma, onde chega a 14 de junho de 1865. Estava firmemente decidido a seguir sua vocação sacerdotal. A viagem à Terra Santa confirmara o chamado do Senhor: “Vem e segue-me! Também te farei pescador de homens!”

 

4. Seminário e ordenação presbiteral

Em Roma, mora no Colégio Francês Santa Clara, matricula-se no curso de filosofia e obtém o doutorado na matéria (1866). Por fim, no dia 19 de dezembro de 1868, é ordenado sacerdote, na Basílica de São João de Latrão, na presença de seus pais, que aceitam, agora, a vocação do filho. No ano seguinte participou, como estenógrafo, das sessões do Concílio Vaticano I. Em 1871, consegue o título de doutor em teologia e em direito canônico.

 

5. Os primeiros anos na paróquia

Terminados seus estudos em Roma, recebeu sua primeira transferência, aparentemente frustrante. Com uma rica bagagem acadêmica, Padre Dehon esperava trabalhar numa universidade, mas foi nomeado para ser vigário paroquial de uma paróquia bastante desafiadora: a paróquia São Martinho, na cidade de São Quintino. Assumiu sua missão com todo ardor e entusiasmo. Conhecendo as grandes necessidades daquela cidade, Padre Dehon teve várias iniciativas de grande repercussão: fundou o patronato São José (1872); a Obra dos Círculos Católicos (1873); um jornal católico (1874); círculos de estudos religiosos e sociais (1875); promoveu encontros de estudos com os patrões; o Colégio São João (1877).

Sacerdote culto, santo e dinâmico, muito conhecido na França, Dehon estava interiormente inquieto. Faltava-lhe algo. Não tinha, porém, clareza do que era realmente.

 

6. A fundação da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus

Depois de um longo discernimento, feito de oração e diálogo com sábios orientadores espirituais, Dehon tomou a decisão de fundar a Congregação dos Sacerdotes Coração de Jesus. A data oficial da fundação é 28 de junho de 1878, dia da primeira profissão do fundador. Temporariamente susprensa por determinação da Santa Sé (1883), a nova Congregação experimentou, depois de sua ressurreição (1884), um vertiginoso crescimento e um surpreendente impulso missionário, espalhando-se por diversos países.

 

7. Padre Dehon e as questões sociais

Além dos trabalhos de governo e animação de sua congregação como superior geral, Padre Dehon participou dos grandes eventos de cunho social, na agitada França daquele fim de século. Sensível aos grandes problemas sociais de então, Padre Dehon organizou e participou de diversos congressos e de assembleias, onde se discutiam as questões sociais, principalmente depois da publicação da Carta Encíclica “Rerum Novarum”, em 1891, do Papa Leão XIII. Pode-se afirmar que Padre Dehon foi um missionário da Doutrina Social da Igreja e dos ensinamentos dos Papas daquele período. Proferiu conferências (principalmente em Roma), escreveu artigos em jornais e revistas, publicou diversos livros sobre o tema.

 

8. Falecimento e beatificação
Padre Dehon faleceu no dia 12 de agosto de 1925, aos 82 anos de idade. Seus restos mortais repousam na igreja de São Martinho, em São Quintino. “Por Ele vivi, por Ele morro”, foram suas últimas palavras.
No dia 8 de abril de 1997, o Papa João Paulo II declarou a heroicidade das virtudes de Padre Dehon. O próximo passo será a sua beatificação. A Santa Sé já aprovou a autenticidade de uma cura ocorrida em Lavras-MG, por intercessão de Padre Dehon. A beatificação do fundador significa, entre outras coisas, um novo alento às iniciativas do Padre Dehon, especialmente à Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus.

 

FONTE: PROVÍNCIA BRASIL SÃO PAULO. Dehonianos em Oração: o livro de oração da Família Dehoniana. 4ª ed. São Paulo, p. 14-19.
Adaptação e atualização: P. Emerson M. Ruiz, scj

Imprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *